Sampa D3 | Restaurantes

Sábado foi aquilo a que chamamos um dia preguiçoso, embora o ritmo alucinante de São Paulo não puxe muito para essa actividade.

De manhã fomos a uma feirinha com comida típica e artesanato e por lá ficámos a conversar e a comer pasteis:

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Também descobrimos que há mesmo MUITOS portugueses a viver aqui. Só na nossa mesa de almoço / lanche éramos 20 e nós os dois éramos os únicos de passagem. Saímos de casa tarde e a más horas. Andámos a pé (não muito) e fomos até Vila Madalena onde a malta tuga estava a almoçar (ou lá o que era) uma mega picanha. Aí pudemos ouvir as histórias de quem, contra vontade, foi obrigado a sair do país em busca de uma vida que sonhou diferente. Uns estão felizes, outros menos, mas todos a morrer de saudades de casa, com a noção de que não poderão voltar tão cedo e com a certeza de que, nos próximos tempos, vão gastar todas as economias e todos os dias de férias em idas a Portugal.

A tarde foi passada entre petiscos e cervejas e só de noite, já bem à hora do jantar é que nos apercebemos das horas.

São Paulo é como Nova Iorque, tem o melhor do mundo de toda a comida do mundo e portanto, depois da picanha e depois de muito discutirmos o nosso destino seguinte, seguimos para um rodízio de sushi absolutamente fantástico, com o serviço de mesa mais rápido que já vi, com comida maravilhosa e com um convívio à mesa que fez esquecer aos emigrantes e aos turistas todo o mundo fora das paredes do restaurante. E saímos de lá com este bom ar:

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O programa da noite já estava preparado pelo Francisco há mais de um mês: FUN Farra no Cine Jóia. À ida para lá, no táxi, perguntei-lhe se aquela zona era segura, uma vez que não me parecia nada que fosse e eu pretendia apanhar um táxi sozinha lá pelas quatro da manhã, quanto eles ficariam na festa até ao final da noite. O Francisco deu-me a resposta que eu já tinha adivinhado… “A zona não é boa, mas tens um ponto de táxis mesmo à porta, por isso sais da discoteca a correr, entras num táxi e já está!”. Exacto. Simples a vida em São Paulo!

Da noite ficam estas imagens, da autoria da Diana e um grande elogio do taxista que me levou a casa que depois de me dizer que eu tinha um sotaque engraçado e de me levar aos arames porque eu deteste brasileiros que acham que nós é que temos sotaque, respondeu ao meu “Eu? Sotaque? Mas tenho sotaque de onde?” com isto: “Do Rio de Janeiro. Dá pra notar bem que você é carioca!”. E pronto, quer dizer que o meu carioquês está a atingir a perfeição e eu gosto disso 🙂

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Sampa D2 | O Centro

Mais um dia em São Paulo e ainda continuamos sem perceber esta cidade.

Hoje é o dia de ir ao centro, porque tem que ser num dia de semana, caso contrário, passa a ser muito mais perigoso. (E não temos muitas fotografias porque São Paulo está longe de ser um sítio seguro para andar de iphone na rua a recolher souvenirs fotográficos).

Saímos de casa de manhã e andámos a pé cerca de meia hora, até nos cruzarmos com o Portão 8 do Ibirapuera, um dos sítios que eu mais queria visitar. Como aqui os dias são curtos, deixei o Parque para outra altura e seguimos em busca de um ónibus.

Dificuldade seguinte: os ónibus aqui são muito mais difíceis de decifrar do que no Rio (ou então sou eu que me mexo no Rio como em casa e aqui não). Como somos os dois malucos, entrámos num ónibus completamente ao acaso e fomos dar uma volta. E de repente, bingo! O nosso ónibus chegou à Avenida Paulista 🙂 Descemos, fizemos mais de metade da Paulista a pé a olhar para o topo dos prédios e a sentir-nos formigas, passámos pela sede da Gazeta e vimos ao longe o logotipo gigante do Maksoud Plaza, o hotel onde foi filmada uma das cenas mais épicas da Torre de Babel, uma novela que era tão bem escrita e tão bem interpretada que me fez decidir, com 14 anos, que nunca mais ia ver novelas na vida porque tudo o que aparecesse depois daquilo ia ser indiscutivelmente pior.

Passámos mais 15 minutos numa paragem a tentar perceber a mística dos autocarros e decidimos interagir com um nativo,  a minha actividade preferida em férias. O senhor lá nos explicou qual era o ónibus que tínhamos que apanhar para ir para a Sé.

A Catedral de São Paulo não é particularmente bonita. Tem até, na sua construção, alguma austeridade (não me perguntem pelo estilo porque o que garantiu o meu 18 a História de Arte na faculdade foi a reportagem sobre a exposição da Graça Morais em Sines, e não propriamente os meus conhecimentos de arquitectura religiosa). E à saída da Sé: SURPRESA!!!, temos uma mini cracolândia à nossa espera numa praça enorme que temos que atravessar! Impressionou-me o modo jardim zoológico em que aquele sítio funciona… Dezenas de toxicodependentes que vivem naquele espaço, a ressacar da última dose e à espera da próxima, só à espera da próxima, e de nada mais e um monte de agentes da Polícia Militar que têm como único objectivo vigiá-los no seu curto espaço do mobilidade e garantir que não acontece nada aos poucos transeuntes que, como nós, optam por atravessar a praça. E é mesmo só isso porque quando fomos perguntar a um deles como é que íamos a pé para a Pinacoteca, provavelmente o museu mais conhecido de São Paulo, ele contorceu-se de pensamentos e depois de alguns minutos mandou-nos ir ter com o colega…

A explicação que conseguimos foi tão boa ou tão má que nos perdemos ao fim de duas ruas, e ainda bem! Com os enganos, entrámos numa zona assustadora da cidade onde nunca teríamos ido de outra forma. Atravessámos um mercado de rua estranhíssimo – o mais estranho que já vi – em que os vendedores têm na mão catálogos de roupa e ténis de marca que, depois de escolhidos aparecem vindos de um armazém sabe Deus onde…, há milhares de lojas e bancas com roupas e acessórios de carnaval, há as bugigangas mais feias que possam imaginar e sobretudo há uma concentração de pessoas de tal forma intensa que precisamos de pedir licença a um pé para mexer o outro e precisamos de garantir que estamos sempre em contacto visual ou físico um com o outro sob pena de nos perdemos para a eternidade… (sim, porque naquele sítio, eu não iria JAMAIS tirar o iphone da mala para ligar fosse para quem fosse!)

“Pronto, está bom. Enquanto experiência radical chega. Agora tira-nos daqui, por favor!” – foi a frase desesperada do Ricardo quando percebeu que aquilo se estendia por um emaranhado de ruas e não parecia ter fim. Agarrei-o por um braço e puxei-o para um rua que percorremos rapidamente, na esperança de conseguirmos sair daquela teia. Apanhámos um susto com uma perseguição policial a um vendedor e seguimos, sempre a olhar para a frente, na esperança de ver alguma rua conhecida (you’re nuts Joana Fernandes! Não pões os pés nesta cidade há vinte anos, estás à espera de conhecer o quê?!). E eis que de repente surge mesmo uma referência: o mercado municipal! Entrámos directamente para o corredor das frutas e tivemos a sensação de que todas as estações de metro de Nova Iorque estavam a desenbocar temporariamente para aquele espaço. Frutas como nunca vi, gente aos gritos, legumes surreais e por trás um aglomerado de abacaxis e mangas, tcharan: A Banca do Juca! Alguém aí se lembra da Banca do Juca na Próxima Vítima? Onde começou o romance entre o Tony Ramos (o Juca) e a minha estrela Natália do Vale (a “bonitona do Morumbi”)? Não, pois não? Pois… Têm razão… Só eu é que me lembro destas coisas 🙂 mas foi uma emoção!!!

Saímos do mercado pelas traseiras (e claramente notava-se que eram as traseiras!), e seguimos por uma zona pouco aconselhável (“lembrem-se, em São Paulo vocês conseguem sempre perceber se estão numa zona boa ou má”) em direcção ao que, pensávamos nós, era finalmente a Pinacoteca. Mas não… Não só não era ainda a Pinacoteca como, no local onde chegámos – o mega Museu da Ciência – ninguém soube indicar-nos o caminho. Exaustos, cheios de fome, sem a mínima noção de onde estávamos e sem nenhuma vontade de usar os telemóveis para tentar descobrir, sentámo-nos num banco a dizer parvoíces até voltarmos a ter ânimo para continuar a andar pela selva de betão.

O caminho até à Pinacoteca teve pouca coisa gira para contar e o próprio museu também, excluindo uma exposição temporária fantástica de pinturas orientais. Mesmo em frente à porta principal fica o Museu da Língua Portuguesa, onde fiz o Ricardo jurar que me levaria noutro dia, porque já não tínhamos pernas nem costas para fazer nada que não fosse procurar um ónibus para casa, o jardim da Luz e, descobrimos mais tarde, a Cracolândia!

Na volta para casa (pânico! “estamos completamente na outra ponta da cidade, onde raio é que vamos descobrir um ónibus que vá para Moema!?”), ainda passámos por uma antiga fábrica absolutamente devoluta, mas que está habitada de forma tão definitiva por, imagino eu, sem-abrigo e/ou toxicodependentes, que em muitos andares vê-se lâmpadas e cortinas através do espaço das janelas (que na realidade, não existem).

Encontrámos a custo um autocarro que passava em Moema (boa sorte para nós, para sabermos onde temos que sair) e lá fomos para casa, completamente rotos, depois de 6 horas a andar a pé pela cidade. Pouco tempo depois chegou o Francisco, que foi recebido entre abraços e muitas saudades e depois saímos para Pinheiros (ou será Vila Madalena?) para um jantar no RUAA – que recomendo vivamente (façam o favor de babar com o cardápio aqui). Óptimo ambiente, comida super boa e super chique (moderna, vá!) e com preços moderados para o género. E, claro, a parte sem preço: rever o Diogo e a Madalena 🙂 Dia cheio este!!!

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