RJ D7 | O Rio pela janela

Quando acordei na 4ª feira só me apetecia chorar. A partida era um facto irrevogável e ficou decidido que íamos estar na rua até ao limite da hora do autocarro.

Saímos bem cedo para conhecer a Urca a pé e daí partimos para o eixo sagrado Ipanema / Leblon, onde ficámos até às dez da noite! Deu para ir à Toca do Vinicius matar saudades da Bossa Nova e do Carlos, deu para ir à livraria Argumento mergulhar nas prateleiras cheias de livros e discos, almoçar em Ipanema enquanto partimos pedra sobre assuntos do coração, o que, entre amigos, é sempre muito bom, e fazer a Visconde Pirajá, a Ataúlfo de Paiva, a Vieira Souto e a Delfim Moreira um sem número de vezes, porque não há melhor programa quando se está no Rio com o melhor amigo do que andar a pé e conversar até doer a garganta.

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No Arpoador vimos o sol a pôr-se e o Vidigal a transformar-se numa enorme árvore de Natal no morro, à medida que escurecia.

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No boteco, onde jantámos com os Luíses e a Teresinha, falou-se de Portugal, do Brasil, dos nosso emigrantes e do caminho que o mundo vai seguir.

O Paulo apanhou-nos em casa, depois da viagem de autocarro mais maluca e perigosa que me lembro de ter feito na vida, entre Ipanema e Botafogo, e levou-nos para a Rodoviária, por um caminho que atravessa as maiores feridas do Rio: as favelas do centro, e as esquinas onde, apesar da história, o crack ainda faz as suas vítimas. O percurso do ônibus pela Avenida Brasil, a caminho de São Paulo, deixa entrar pelas janelas as imagens cortantes das favelas do subúrbio, onde o valor da vida humana é muito diferente do nosso e onde milhares de cariocas se amontoam em km de bairros de lata ao longo da estrada, de um lado e de outro. Penso na viagem que acabei por não fazer, de carro, pela BR-101 e pelas curvas da estrada de Santos. É porque não tinha que ser. Tem que ficar alguma coisa para as próximas visitas. O cansaço e as lágrimas vencem-me e deixo-me dormir. Quando acordar já estarei em São Paulo… 20 anos depois…

RJ D1 | Zona Sul, whatelse…

Onde mais é que eu podia passar o meu primeiro dia na cidade maravilhosa…

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Com encontro marcado no Arpoador, escolhemos o transporte “com emoção”, como diria a Martha referindo-se ao transporte em Ónibus, onde tudo pode acontecer, e as lágrimas estiveram à beira de cair, outra vez, com a visão do morro do Vidigal. Os primeiros raios de sol em Ipanema e o facto imperdoável do Ricardo não conhecer a Lagoa fizeram-nos andar 11km a pé e de sandálias, uma estupidez que deixou marcas assassinas nos meus pés de princesa que só três dias e quilos de pomada depois é que voltaram a tolerar um sapato aberto. (Mas o que é isto ao pé do facto de ter partido os meus óculos ao meio ainda no avião e de ter acordado, ao segundo dia de viagem com o olho direito inchado com a picada de um mosquito… enfim, maravilhas da mata atlântica!).

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Da Lagoa para a Avenida Ataúlfo de Paiva, no Leblon, onde almoçámos uma deliciosa pizza de Frango com Catupiry (recomendação da Ana e do Rui), com vista para o cruzamento.

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Ainda deu para molhar os pés, feitos em chagas, no mar do Leblon, (um óptimo desinfectante), antes de me arrastar até ao ponto do Ónibus que atravessou Copacabana naquela velocidade selvagem típica dos motoristas de transportes públicos do Rio. Posto isto, chegámos a casa, já de noite (porque aqui anoitece às 17h30) e tivemos tempo para desfrutar desta vista maravilhosa da nossa sala:

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Enquanto eu preparava o meu relatório de treino para a Raquel superstar 🙂

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