Do meu Workshop

 

No fim-de-semana passado estive mergulhada no mundo do jornalismo de viagens. Depois de uma dia e meio em sala a aprender os truques do ofício e a conversar sobre a melhor forma de contar as histórias com que no deparamos em viagem, saímos para a rua. para o trabalho prático. Deixo-vos em baixo a minha crónica, que resultou desse passeio.

 

À sombra do Rio

Num Domingo frio, Lisboa está presa entre o reflexo cinzento que o céu e o Tejo fazem um no outro.

Uma das colinas escondidas, a que liga o Martim Moniz à Graça atravessando a Mouraria, conta-nos nas paredes a história das muitas vozes e guitarras do fado que ali nasceram e viveram. Uma criança com uma bola corre rua abaixo, um cão salta-nos às pernas a pedir atenção, mãe e filho passeiam-se em roupão de quarto pela calçada gasta. Mais acima pouco parece restar do tempo dos fadistas eternizados nas paredes além das fachadas dos prédios. Os transeuntes (poucos para uma tarde de Domingo) concentram-se em pequenos grupos dentro ou à porta de lojas de mau aspecto. Frutarias, barbeiros, lojas de telecomunicações, tascas e, claro, muitos hostels recém criados numa cidade cujo fluxo turístico disparou nos últimos anos.

Pontualmente, em esquinas, ouvimos o som característico dos programas da tarde, praticamente iguais nas três estações de televisão. Portas entreabertas contam-nos a história de vizinhos habituados à presença uns dos outros, a fazer das ruas do bairro o seu condomínio privado.

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Do miradouro da graça espreitamos de mais alto o cinzento que ocupou o céu e o rio de Domingo. Trocamos impressões sobre os telhados lá em baixo e discutimos animadamente a posição de uma cache (um passatempo recente para locais e turistas) que não chega a ser encontrada nem dentro nem fora do túnel de entrada da Villa Sousa.

A noite cai cedo e depressa e a cache terá que ficar para uma próxima, mas no Largo da Graça, o frio meteu medo a menos gente do que na Mouraria e o rebuliço dos cafés faz-se notar no burburinho que chega à rua.

Um filme recente com uma história antiga desperta a curiosidade para uma visita à Vila Berta, um pequeno núcleo habitacional dentro do bairro da Graça. Construída no início do século XX pelo arquitecto e industrial Joaquim Francisco Tojal, a Vila renova-se agora ao receber jovens famílias que se juntam aos habitantes mais antigos. Baptizado com o nome da filha do arquitecto, o bairro debruça-se para a rua interior encontrando nos pátios e varandas ajardinados uma harmonia campestre que falta nas ruas principais da cidade.

A nova vida do bairro é relatada pela D. Teresa, moradora há mais de 50 anos e fã da nova versão d’ “O Pátio das Cantigas”, motivo que a faz intervir na nossa conversa. À porta de um dos edifícios do lado sudeste vai-nos contando histórias antigas e a emoção das filmagens (entre as quais destaca as noites de “Corta!” atrás de “Corta!” até às 4 da madrugada).

A Dona Ilda abre finalmente a porta (é preciso ter em conta as dificuldades de audição) e a Dona Teresa despede-se deixando o convite para as próximas festas de Santo António.

A noite aguça a chuva que cai com mais intensidade. Encontramos conforto o calor de uma sala apertada e cheia de gente. À porta, o Sr. Jaime dá-nos as boas-vindas à tasca homónima e reforça que está um tempo mesmo bom para uns pastéis de bacalhau. Laura, a esposa, ao ver-nos chegar faz entrar um dos fadistas mais ou menos residentes. A luz apaga-se e faz-se silêncio (excepto pelos pedidos de imperiais feitos em surdina ao balcão).

Ainda não são 7 horas. É noite cerrada, chove e faz frio. Lisboa anoiteceu à sombra de um rio cinzento, mas nem por isso deixa de se cantar o fado.

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Comboio Histórico do Douro

Esta foi a última viagem deste verão. O comboio histórico do Douro recria uma viagem que remonta a tempos antigos e que percorre uma das mais belas paisagens do nosso país. Uma tarde bem passada e com direito a muitas imagens bonitas, sempre acompanhada por música tradicional (ainda dei uma perninha a acompanhar a voz principal).

Este ano já não há mais, a última edição foi esta, no final de Outubro, mas talvez o comboio histórico regresse em 2015.

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No coração de Trás-os-Montes…

… a mais de meia hora de curvas de Mirandela, encontra-se este pequeno Oásis – o Alfândega da Fé Hotel and SPA, onde passei três dias durante as férias de Verão. Embora a equipa do Hotel pudesse ter bastante mais formação e a empresa de limpeza deva ser mudada o quanto antes, não deixamos de estar num sítio ideal para desligar a cabeça e passar horas a ler e a deixar-nos impressionar pela paisagem esculpida na pedra pelos milhões de anos que já passaram pelo nosso planeta.

Vale a pena experimentar e aproveitar o tempo frio – há um jacuzzi ao ar livre e uma lareira enorme na sala junto ao bar! Lá fora, nos dias de chuva, dá para ver as colunas de água a cair das nuvens.

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Se estiver sol aconselho-vos a irem passar um dia à Praia Fluvial da Ribeira, na Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo. A praia está super bem cuidada e tem um óptimo bar de apoio.

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Para comer é que é um problema… o restaurante do Hotel não é famoso e ali por perto não há muita coisa. Alfândega da Fé fica a 15 minutos de carro (e à noite custam a fazer) e ainda assim não oferece uma grande variedade – basta dizer que chegámos lá num Domingo e não havia pão em lado nenhum porque ao Domingo o padeiro da terra não trabalha! Mirandela então, nem pensar… são 35 a 40 minutos de uma estrada medonha de curvas e contracurvas completamente às escuras… Ainda assim, e porque terão sempre que comer nalgum lado, aconselho a Pizzaria o Bairral, na Rua da Escola, em Alfândega da Fé. É muito escondida, mas com vontade e depois de perguntarem a 4 ou 5 nativos conseguem lá chegar. A equipa é super simpática e a comida também. Além de pizzas, há francesinhas e pratos de peixe e de carne.