E foi assim…

A Kim nunca foi um bicho simpático, antes pelo contrário, e aqueles de vós que são próximos cá de casa lembram-se com certeza das mordidelas, de não a conseguimos levar ao médico porque não a conseguíamos pôr na transportadora, e de ela quase não deixar que lhe pegássemos ao colo…
Chegou cá a casa em 1997, na semana da morte da princesa Diana, oferecida pelo meu padrinho, que a recolheu da rua em Salvaterra de Magos. Tinha cerca de 3 semanas e cabia na palma da minha mão.
Mostrou desde muito cedo que era senhora do seu nariz e que só fazia o que queria. Era ela que escolhia os colos, as cadeiras e os sofás. E foi assim até ao fim. Até ao momento em que a doença e a idade (17 anos é muito tempo para um gato) a fizeram quebrar e transformar-se no animal de companhia que nunca foi. Ficou meiga, frágil e cada vez mais magra. Durante as últimas três semanas permitiu que lhe déssemos mais mimos do que os que aceitou no resto da vida… E permitiu que a levássemos ao Hospital do Gato, onde neste momento difícil encontrámos uma equipa fabulosa e empenhada até ao limite em fazer o possível e o impossível para a pôr boa ou, em última análise, para lhe reduzir o sofrimento ao mínimo. E assim foi… Demos-lhe todo o conforto possível até à passada 5a feira, quando nos deixou.
Resta-me lembrar os momentos bons, agradecer à equipa incansável do Hospital do Gato que foi um super apoio nesta fase (um obrigada muito especial à Dra. Sofia que foi a melhor pessoa que se podia ter cruzado connosco nesta altura) e guardar as coisinhas da Kim para os próximos gatos que, quando esta nuvem passar, hão-de vir com certeza.

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Setembro é um mês muito triste…

… por uma única razão. É o mês em que temos as últimas visitas de Verão dos amigos emigras.

De resto, tudo maravilhoso. Ainda há sol, a minha mãe faz anos, as coisas no trabalho regressam à normalidade, como se está a iniciar o novo ano lectivo, somos tomados daquela vontade de tomar decisões que também temos em Janeiro… enfim, é um mês bom. Mas para quem, como eu, tem metade dos amigos emigrados, tem o problema de ser a altura das últimas visitas deles a casa antes do regresso.

Eu também estive com um pé na emigração. Acabei por ser resgatada para ficar quando estava quase de saída, por isso, percebo um bocadinho de nada, o que eles sentem. É fantástico voltar a casa, rever os amigos, a família, os locais, os hábitos, tudo isto com a mágoa de Portugal não lhes ter dado espaço para ficarem.

É sempre bom ter oportunidade de vos ver. Sofia (UK), Fred, Madalena, Diogo, Tito, Sofia (NL), Sofia (EUA), Francisco… É mesmo uma grande alegria rever-vos e perceber que estão bem. E é sempre difícil deixar-vos partir  outra vez de ao pé de nós. Mas é assim mesmo. Setembro vai avançando e como a nossa, a vossa vida também tem que continuar. Resta-nos esperar pelo Natal para vos abraçar outra vez 🙂

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Fonte Imagem: My Sweet Little Pie

Quem tem amigos tem tudo

A semana passada tive um susto muito grande. Com o meu carro parado na via para prestar auxílio a outro carro que estava com sinalização de perigo, um terceiro carro que entrou na curva à maluca e travou a fundo com a estrada cheia de água e óleo entrou pelo meu porta-bagagens adentro e atirou-me o carro contra o da frente. O meu porsche mégane break, como gosto de chamar ao meu modesto Renault ficou em modo sanduíche. No primeiro momento em que percebi que se tivesse estado lá dentro muito provavelmente não estaria aqui a escrever-vos, quase que acreditei em Deus. Depois, quando percebi que o mais provável era que aquele momento fosse o fim de uma linda história de amor entre mim e o meu companheiro de estrada fiquei pra morrer. O meu carro e a minha casa são bens materiais a que me apeguei como se fossem pessoas de família. Estive três dias com a minha capacidade de raciocínio perto do zero. Aquele acontecimento obrigou-me a  tomar uma decisão definitiva sobre a minha partida: tenho que decidir se vou ou não arranjar um carro (aquele arranjado, ou outro) até me ir embora. Porém, se o objectivo é ir-me embora daqui a três meses, isso não faz muito sentido e a indemnização que me vão pagar vai-me fazer mais falta para outras coisas. Conclusão: “Joana Fernandes, vais ter que decidir a tua vida AGORA!”

Parece que não, mas estes momento têm coisas muito boas. Descobri, por exemplo, que, se dependesse dos meus amigos, teria uma frota de carros à porta de casa para usar enquanto precisasse. A verdade é que até hoje não fiquei nem um dia apeada. Entre as ofertas de carros emprestados e a re-organização dos meus pais para me darem boleia sempre que preciso faz-me sentir quase como se não tivesse acontecido nada.

No meio desta confusão, recebi um aviso dos correios para ir levantar uma encomenda. Ora bem, eu sabia que não tinha pedido nada, por isso achei estranho, até porque o remetente era uma tal de “Jane Doe Online Store”. Uma rápida pesquisa no Google deu estes dois resultados:

“Jane Doe T-shirts: Improving the way society responds to victims of sexual assault” – Hum… Não me parece…

“The names “John Doe” for males and “Jane Doe” or “Jane Roe” for females are used as placeholder names for a party whose true identity is unknown or must be withheld in a legal action, case, or discussion. The names are also used to refer to a corpse or hospital patient whose identity is unknown.” – Jesus!!!

Juro que pensei deixar ir a encomenda para trás… mas lá passei pelos correios para ver o que era… e ainda bem… Dado que não me pode emprestar o carro dela, porque está a alguns milhares de Km daqui e que eu tinha feito anos há menos de duas semanas, a Sofia decidiu mandar-me um kit love! Os meus amigos são o máximo!!!

T-shirt com estampagem “The best is yet to come” e luvas do amor 🙂

E a tal de Jane Doe online store existe mesmo aqui.

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