A vida acaba amanhã ou temos todo o tempo do mundo?

Uma amiga está doente e deveria ter chegado a Lisboa há pouco para iniciar os tratamentos. Até agora ainda não deu notícias. De repente, imagino que tenha ido com a família jantar ao seu restaurante favorito, à beira-mar. Como será para alguém que tem de repente uma incerteza sobre a sua longevidade saborear o seu prato favorito no seu restaurante favorito? Será que sabe na mesma ao seu prato favorito ou será que não sabe a nada, porque não é possível concentrarmo-nos no sabor do prato com a mente a divagar, em pânico, pelas lembranças do que fizemos e do que deixámos por fazer? Ou será que sabe ainda mais ao nosso prato favorito porque damos, subitamente, mais valor a todas as coisas?

Um furacão que passou pela minha vida recentemente abriu uma caixa guardada há muito (somos tão bons a convencer-nos de que os assuntos estão arrumados..) e hoje, ao pensar sobre isto do nosso prato favorito, fiquei muito confusa.

Lembro-me de ser criança e adolescente e ouvir muitas vezes os adultos falar sobre as lições do tempo.  “O tempo cura tudo”, “O tempo há-de resolver”, “Dá tempo ao tempo”, “A vida vai mostrar-te a razão de ser de certas coisas”, “Quando fores mais velha vais perceber”, “Tudo acontece por um bom motivo”. Tudo verdade. Mesmo.

E lembro-me de ser criança e adolescente e ouvir dizer que tínhamos que ser pró-activos (na altura ainda não era esta a palavra usada). “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”, “Se queres uma coisa, luta por ela”, “Vai atrás dos teus sonhos” e outras frases deste calibre.

A vida tem balanceado estes dois olhares. Tem-me mostrado que vale a pena esperar e dar tempo ao tempo e que tudo acontece por um bom motivo. E tem-me mostrado que temos que ser donos do nosso próprio destino. Fez-me ter paciência e esperar que determinadas coisas chegassem, no seu tempo, e fez-me correr atrás de coisas que que queria muito em vez de esperar que me caíssem ao colo. E hoje, com 30 anos, há frases daquelas (das primeiras) que fazem muito mais sentido. O tempo e (alguma) maturidade mostram-nos mesmo que muita coisa faz sentido assim como é, mesmo quando ao início nos parece estranha e faz-nos olhar para a vida com outra calma, com outra paz.

E depois, estás no trânsito, lembras-te da tua amiga e pões-te a pensar… qual é então o equilíbrio entre os dois conselhos? Devemos dar tempo ao tempo ou andar sempre a correr atrás dos nossos objectivos? Tenho que ir ao ginásio todos os dias, ou posso faltar um dia e ir comer uma pizza com o meu namorado simplesmente porque me apetece desfrutar desse momento? Devemos largar tudo de repente para ir atrás de um sonho, ou se esse sonho for mesmo o nosso lugar, vamos acabar por ir lá ter mais cedo ou mais tarde porque a vida é sábia e há-de tratar de tudo?

A tua amiga, que deve estar aterrada de medo, foi comer o seu prato favorito porque quer saborear o melhor da vida enquanto ainda pode. O tal furacão que abriu a tua caixa guardada começa a soprar outra vez e tu perguntas-te: “Se eu soubesse que me restavam 6 meses, faria tudo como estou a fazer?” Eu não…

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Imagem roubada aqui.

6 dicas para desperdiçar menos tempo…

… com informação!

Pois é, cá está então o primeiro artigo sobre organização, neste caso do tempo. Para os que estavam à espera de um artigo sobre o porquê de eu guardar ingredientes em frascos na despensa… não desesperem, esse vem já a caminho.

Ora bem, quem de vocês é que se queixa de não ter tempo para nada ou de não ter tempo para algumas coisas que quer fazer? Levantaram o braço? Certo! Deixem-me dizer-vos uma coisa: vocês têm tempo para o que quiserem. É tudo uma questão de gerir prioridades.

Uma das coisas que mais me revolta é a sensação de ter perdido tempo – seja com um mau filme ou livro, seja com pessoas que não interessam, seja a fazer coisas das quais não retiramos nada se não chatices.

Ultimamente tenho tentado usar estratégias que me permitem gerir melhor o meu tempo e não me perder com informação que não interessa. Vou partilhar convosco seis coisas que fiz e que me deixaram ficar com mais tempo livre para aquilo que realmente quero fazer:

1 – Usem o feedly para não navegar na maionese!

O feedly é uma aplicação que vos permite listar os blogs os sites que querem acompanhar. Tem um modo de visualização que junta todos os artigos por ler em todos os blogs que seguem e outra em que podem ver apenas um blog de cada vez. É uma forma óptima de garantir que lêem as fontes que vos interessam sem andarem a navegar na maionese e a gastar tempo a ler montes de coisas que depois, concluem, não têm interesse nenhum.

2 – Limpem o feed de notícias (a sério, há gente no vosso Facebook que não publica nada de jeito!)

E não imaginam quanto! De repente dei por mim a passar o meu feed a uma velocidade alucinante porque nada me interessava e dei por falta de actualizações de algumas páginas que sigo e que me interessam. O que acontece é que o Facebook selecciona automaticamente, com base em vários dados, a informação que aparece no vosso feed. Mas isso é configurável, se quiserem. Nas páginas de amigos vossos basta clicarem na seta que está ao lado de “A seguir” (na foto de capa) e decidirem se querem ver as publicações desse amigo no vosso feed ou não (também podem optar por vê-las com destaque); No caso de uma página institucional podem fazer o mesmo clicando na seta que está no botão “Gosto” ou “Gostei” (conforme já tenham gostado ou não da página). É chato fazer esta limpeza, mas vão ver que faz muita diferença no interesse que o vosso feed tem para vocês.

3- Desliguem o push do email 

Uma das melhores decisões que tomei nos últimos tempos… No vosso email é possível configurar se querem receber novas mensagens assim que elas chegam ou com intervalos de tempo pré-definidos. O meu email do trabalho interrompia-me constantemente as tarefas em que estava concentrada com novas mensagens que, na sua esmagadora maioria, não eram urgentes. Agora que só recebo novos emails de meia em meia hora, a minha gestão do tempo a trabalhar melhorou imenso e… guess what! nada desabou por causa de eu levar mais meia hora a responder…

4 – Desarrisquem-se de sócios (das 1500 newsletters que não vos interessam)

Eu sei que é mais fácil simplesmente eliminá-las ou deixá-las a jazer na inbox. Mas a sério, não façam isso. No primeiro caso o que vai acontecer é ficarem com um ódio crescente a quem vos envia aqueles emails, no segundo vai dar-vos permanentemente a sensação de terem a caixa de entrada cheia e dificultar-vos a tarefa de encontrarem outros emails mais importante. Em quase todas as newsletters é muito fácil fazer “Unsubscribe”. Costuma custar apenas 2 cliques!

5 – Proíbam-se de ler caixas de comentários

Como alguém disse e muito bem, são esgotos a céu aberto onde corre a estupidez humana em estado selvagem. Quer seja em páginas de jornais conceituados ou no Facebook, não se aprende absolutamente nada e a única coisa que se consegue, seja qual for o assunto, é contactar com o que de mais absurdo há nas pessoas que aproveitam o anonimato concedido pela internet para se expressarem das formas mais desrespeitosas que conseguem.

6 – Não vejam telejornais (até a SIC Notícias entrou em modo porteira!)

Esta última custa-me muito. Às vezes ainda vejo. Mas eu sou da área e por isso tenho desculpa… 🙂 Sabiam que há estudos que relacionam o nº de horas que as pessoas vêem televisão com a sua visão negativa do mundo? Não me admira. Vemos uma hora e meia de telejornal (!!!!!!!) e não aprendemos nada a não ser que isto está tudo muito mal que os políticos não prestam, que há emigrantes e morrer e que um jogador qualquer de futebol andou à porrada. Até a SIC Notícias, que para mim continua a ser um exemplo em muitas coisas, já abre noticiários com “O líder do Partido A disse que o do Parido B era mentiroso” ao melhor modo porteira. Jesus! A sério, o país não está a ir ao fundo. Há milhões de coisas fantásticas a acontecer à vossa volta, no país e no mundo e se se deixarem poluir com a informação veiculada na comunicação social mainstream não vão ser capazes de acreditar nisso!

Experimentem as dicas e depois partilhem o resultado! 🙂

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Imagem roubada aqui

Tomar conta de nós

Tenho o péssimo hábito de me preocupar mais com os outros do que comigo e isso é muito bonito, mas quando é em excesso torna-se estúpido.

Hoje, ao passar os olhos pelo meu feedly (a ferramenta que uso para ler os vários blogs que sigo) percebi que há ali blogs que já não me interessam muito e que só me fazem perder tempo. Só os mantinha ali por pudor de os eliminar do meu feed. Pois acabou-se… Não tenho nada contra esses autores mas tenho muito a favor do meu tempo, que é sempre escasso para tudo o que quero fazer. Hoje eliminei 5. Não foi contra eles, foi a favor de mim!

A minha amiga Sofia ficaria orgulhosa de mim… i-ain-t-wasting-no-more-time

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