Jerusalém no sofá

Não há nada a fazer. Quando pego num livro do Daniel Silva, é certo e sabido que, a partir do primeiro terço, é melhor esperar pelo fim-de-semana, porque não vai dar para largar. A última vez que o Allon (protagonista da série e estrela maior da Mossad, os serviços secretos israelitas) me apanhou despercebida foi no Porto, num quarto de Hotel, entre os dois dias de um congresso sobre a morte. Estava eu, leitora incauta, a ler um pouco antes de dormir, sem saber que iria passar a noite em claro e passar o dia seguinte no congresso a bater com a cabeça nas paredes. É porque há ali uma altura, em cada um dos romances, em que pomos na lapela o distintivo da Dream Team comandada por Allon e depois não dá para ir embora antes da mais recente e mortífera ameaça ao estado de Israel estar anulada.

Desta vez foi “O Anjo Caído”, um dos últimos a sair e o que tem mais cenas passadas em Israel, levando-nos por uma inacreditável viagem ao subsolo de Jerusalém e a uma disputa pela sobrevivência e pela história. Eu juro que estava a muito menos de meio. E depois, deitei-me no sofá, com a Ema ao colo e o sol algarvio a entrar pela janela e só terminei perto das onze da noite, depois do Papa ter regressado ao Vaticano em segurança e o Hezbollah ter voltado para casa, para lamber as feridas. E eu que tinha tantas saudades de passar uma tarde no sofá a ler, apaixonada por uma história e desta vez com o bónus de ter a Ema como companhia… E eu, que sempre tive uma opinião a preto e branco sobre o conflito no Médio Oriente e que agora sei que é, provavelmente, a realidade com mais matizes de cinzento na história do mundo…

Para quem não conhece a “saga Gabriel Allon”, aconselho-vos a começar pel’ “A Mensageira”. Podem conhecer a colecção aqui.

1507-1

 

Allon no sofá…

Estes dias agitados têm dado para matar saudades de um dos meus desportos preferidos e que já não praticava há muito tempo. Ler no sofá a seguir ao jantar, adormecer e ser acordada com a célebre frase “Joana, vamos para a cama!”.

A companhia escolhida volta a ser Gabriel Allon.

Após um interregno de quase um ano, em que decidi que se não largasse as histórias do herói da Mossad não ia ler mais nada, peguei n’ “O Anjo da Morte” e já ando outra vez pelas ruas da Europa, a olhar por cima do ombro e à procura do Eli Lavon em cada esquina.

Depois de, nas férias, ter devorado os três livros do Stieg Larsson de seguida, achei que tinha o direito de ir ver o que se passava na Av. Rei Saúl, em Telavive. E as coisas não estão nada fáceis por lá…

Just being at home

Hoje dei uma de Sofia Castro e saí do trabalho às 16h30, após uma reunião com mais 13 pessoas. Tinha o meu trabalho feito, e ainda tinha que passar no escritório à noite, por isso vim da Assembleia da República directamente para casa, sem passar pela casa de partida, que é como quem diz o escritório.
Vim para casa, ainda com luz do dia, o que é raro, e, simplesmente, estive em casa… a arrumar papéis, a mudar livros de prateleiras, a ler no sofá, a ler cartas antigas deitada no tapete, a ouvir rádio… e depois ainda tive a visita do Chico para um cafezinho rápido (mas sem café).
Não deixa de ser uma sensação estranha, tanto tempo para estar em casa… depois da aula de canto e de uma rápida passagem no escritório, voltei para jantar e agora sim, É SEXTA-FEIRA, YEAH! e eu vou para a brincadeira daqui a pouco depois de ter estado a namorar a minha casa mais tempo do que o que costumo passar cá durante os cinco dias da semana!

021 - Just being at home - Destaque

Imagem “Home sweet home”
Fonte: O Mundo de Alice