Sampa D5 | A Paulista

A Avenida Paulista é um mundo e por isso mesmo, e também porque o Ricardo tinha uma reunião lá perto, fomos almoçar a uma hamburgueria tipicamente americana. Havia hamburguer com sabor a tudo, mas dado que estávamos em jejum, achei que batatas fritas com molho barbecue já era violência suficiente para o estômago e não arrisquei muito no molho da carne.

O Ricardo saiu para a reunião de trabalho e nós ficámos, envolvidos na conversa durante algumas horas que pareceram 10 minutos.

Quando o Ricardo voltou, partimos a pé, para a Paulista. Estava algum frio e eu estava vestida de carioca: sandálias, calças de pano e top… Claro que metade das pessoas na Paulista olhavam para mim à nossa passagem… afinal de contas estavam 19º e São Paulo no inverno é mesmo frio!

Caminhámos durante imenso tempo, passeámos nalgumas transversais, fomos ao Museu de Arte Moderna e depois, o ex-libris… a livraria cultura:

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Daqui para a Óscar Freire, uma das mais conhecidas ruas de lojas de São Paulo, e da Óscar Freire para casa da Madalena e do Diogo, onde tínhamos marcado o jantar do último dia. E, garanto-vos, há poucas cooisas tão boas como estar em casa dos amigos emigras e ver que, dentro do possível, eles estão bem e que estão a tratar dos seus cantinhos…

Sampa D4 | o Carandiru e o MLP

Domingo pós-festa é igual a acordar às quinhentas (again!).

O brunch foi num spot espectacular, ao pé de casa, de onde apanhámos o táxi para o Carandiru (sim, o ex maior presídio da América latina!). Esforcei-me bastante para não dizer ao taxista que íamos para o Carandiru, para não dar mau aspecto. Disse que íamos para a Cruzeiro do Sul e nada, tentei Parque da Paz e nada (não sei se já vos tinha dito, mas os taxistas em São Paulo nunca sabem ir para lado nenhum). Até que, conformada, disse “Para o Carandiru!”. Resposta: “Ah, o presídio!”. Pronto…

É difícil acreditar no que já existiu naquele lugar… Achei que, quando chegasse lá, ainda me ia cheirar a sangue e a desumanidade. Mas não… o tempo e a prefeitura deram à cidade um espaço fantástico que hoje está cheio de famílias, jovens e crianças que passeiam, comem e fazem desporto em cima dos destroços da carnificina que envergonhou o Brasil em 1992, dois anos antes da minha chegada a São Paulo. 111. Cento e onze mortos. Todos prisioneiros. Zero PM’s. A história e toda a sua envolvência arrepia-me até hoje, e por isso fiz questão de aqui vir, prestar a minha humilde homenagem àqueles que morreram. Mesmo que a minha homenagem seja só caminhar pelo parque e contar, aos que estão comigo, a história dos que morreram e do que era o mundo do crime em São Paulo no início da década de 90. Ainda bem que o Carandiru já não existe, mas continuo a achar que um dos pavilhões devia ter ficado de pé e aberto ao público, como os campos de concentração. Não estou a comparar a dimensão, mas seria útil, para que nunca nos esqueçamos do que ali aconteceu.

Não há fotos, porque esta também não é um zona boa, mas fica a de uma rua das redondezas e que é igual a muitas das ruas de São Paulo.

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“Bom, então posto isto, eu quero ir ao Museu da Língua Portuguesa”. Esta minha frase foi o gatilho para o Francisco chamar um táxi, mas eu travei-o a tempo.
Joana – “Aqui há metro e na Luz, também. Vamos de metro.”
Francisco – “Como é que sabes que qui há metro?”
Joana – “Por causa do livro. Chama-se Estação Carandiru porque o Dr. Dráuzio Varella, quando vinha fazer voluntariado aqui na prisão vinha de metro e saía sempre na estação Carandiru!”
Francisco – “Pronto. Lá está ela a achar que conhece a cidade toda! Que nervos! :-)”

Entrar naquela estação foi uma experiência. Imaginar como seria naquela altura. Como seria o ambiente, os sons, os cheiros… Agora é bem diferente e quem não souber o que ali se passou, passa pela zona sem se dar conta. Se calhar é assim que tem que ser. Eu acho que não. Três paragens depois, chegamos à Estação da Luz (sim, Francisco, tinha valido a pena virmos de táxi! eheheh), onde nos encontrámos com a Diana.

O Museu da Língua Portuguesa é maravilhoso, dentro do género Letras, claro, que pode parecer estranho para quem não é da área. Tem um primeiro andar com uma exposição temporária que mostra o acervo de Ruben Braga e de onde tirámos estas pérolas:

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O segundo andar é um sítio onde eu ficaria dias a fio. Explica a evolução da língua hoje falada no Brasil, desde as origens até agora e mostra, em ilhas específicas, de que forma é que cada língua influenciou o brasileiro de hoje (desde as línguas europeias até às indígenas!):

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E por fim, no último piso, tem um filme com narração de Fernanda Montenegro que fala sobre a origem da língua falada, de onde passamos para uma sala onde, todos sentados em roda, ouvimos as melhores vozes do Brasil (cantores, actores e autores) a declamar os melhores poemas escritos em língua portuguesa. Claro que é na voz de Maria Bethânia (pausa para vénia de joelhos) que nos aparece Fernando Pessoa:

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Para bónus, o Museu está inserido na Estação da Luz, uma fantástica estação de metro e comboio, que ao fim do dia fica com este visual:

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Aqui, sim, estamos muito perto da Cracolândia e não convém dar passos para fora de pé. Daqui, sai-se dentro de um transporte e de preferência táxi. Foi o que fizemos, a caminho do bairro japonês 🙂

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Depois de atravessar a multidão (São Paulo é assim, aparentemente estava a acontecer um Festival com direito a concertos ao vivo de rock japonês na rua), deparámo-nos com o nosso restaurante fechado, por mudança de instalações. Toca de apanhar outro táxi para outro bairro (perto da Paulista) para onde o dito restaurante se tinha mudado. Jantar terminado e qual é o programa típico de paulista que nós ainda não tínhamos feito??? Shopping!

Uma pequena nota para explicar que há uma aplicação para smartphones que serve para chamar táxis de confiança em São Paulo. Nós chamamos o táxi, o smartphone usa a nossa localização para indicar ao taxista onde estamos e envia-lhe uma foto do dono do smartphone. E nós recebemos no telefone uma foto e o nome do taxista e o número do táxi!

O Francisco e a Diana levaram-nos ao Shopping JK Iguatemi, o shopping mais caro da América Latina, só para vermos o luxo dos corredores, dos restaurantes, das lojas (como esta de vinhos na imagem)…

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Vistas as lojas onde as pessoas que têm muito dinheiro fazem compras, fomos ao supermercado comprar pipocas de pacote para fazer no micro ondas mais pro que eu já vi e vimos um filme em casa 🙂

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Sampa D3 | Restaurantes

Sábado foi aquilo a que chamamos um dia preguiçoso, embora o ritmo alucinante de São Paulo não puxe muito para essa actividade.

De manhã fomos a uma feirinha com comida típica e artesanato e por lá ficámos a conversar e a comer pasteis:

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Também descobrimos que há mesmo MUITOS portugueses a viver aqui. Só na nossa mesa de almoço / lanche éramos 20 e nós os dois éramos os únicos de passagem. Saímos de casa tarde e a más horas. Andámos a pé (não muito) e fomos até Vila Madalena onde a malta tuga estava a almoçar (ou lá o que era) uma mega picanha. Aí pudemos ouvir as histórias de quem, contra vontade, foi obrigado a sair do país em busca de uma vida que sonhou diferente. Uns estão felizes, outros menos, mas todos a morrer de saudades de casa, com a noção de que não poderão voltar tão cedo e com a certeza de que, nos próximos tempos, vão gastar todas as economias e todos os dias de férias em idas a Portugal.

A tarde foi passada entre petiscos e cervejas e só de noite, já bem à hora do jantar é que nos apercebemos das horas.

São Paulo é como Nova Iorque, tem o melhor do mundo de toda a comida do mundo e portanto, depois da picanha e depois de muito discutirmos o nosso destino seguinte, seguimos para um rodízio de sushi absolutamente fantástico, com o serviço de mesa mais rápido que já vi, com comida maravilhosa e com um convívio à mesa que fez esquecer aos emigrantes e aos turistas todo o mundo fora das paredes do restaurante. E saímos de lá com este bom ar:

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O programa da noite já estava preparado pelo Francisco há mais de um mês: FUN Farra no Cine Jóia. À ida para lá, no táxi, perguntei-lhe se aquela zona era segura, uma vez que não me parecia nada que fosse e eu pretendia apanhar um táxi sozinha lá pelas quatro da manhã, quanto eles ficariam na festa até ao final da noite. O Francisco deu-me a resposta que eu já tinha adivinhado… “A zona não é boa, mas tens um ponto de táxis mesmo à porta, por isso sais da discoteca a correr, entras num táxi e já está!”. Exacto. Simples a vida em São Paulo!

Da noite ficam estas imagens, da autoria da Diana e um grande elogio do taxista que me levou a casa que depois de me dizer que eu tinha um sotaque engraçado e de me levar aos arames porque eu deteste brasileiros que acham que nós é que temos sotaque, respondeu ao meu “Eu? Sotaque? Mas tenho sotaque de onde?” com isto: “Do Rio de Janeiro. Dá pra notar bem que você é carioca!”. E pronto, quer dizer que o meu carioquês está a atingir a perfeição e eu gosto disso 🙂

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Sampa D2 | O Centro

Mais um dia em São Paulo e ainda continuamos sem perceber esta cidade.

Hoje é o dia de ir ao centro, porque tem que ser num dia de semana, caso contrário, passa a ser muito mais perigoso. (E não temos muitas fotografias porque São Paulo está longe de ser um sítio seguro para andar de iphone na rua a recolher souvenirs fotográficos).

Saímos de casa de manhã e andámos a pé cerca de meia hora, até nos cruzarmos com o Portão 8 do Ibirapuera, um dos sítios que eu mais queria visitar. Como aqui os dias são curtos, deixei o Parque para outra altura e seguimos em busca de um ónibus.

Dificuldade seguinte: os ónibus aqui são muito mais difíceis de decifrar do que no Rio (ou então sou eu que me mexo no Rio como em casa e aqui não). Como somos os dois malucos, entrámos num ónibus completamente ao acaso e fomos dar uma volta. E de repente, bingo! O nosso ónibus chegou à Avenida Paulista 🙂 Descemos, fizemos mais de metade da Paulista a pé a olhar para o topo dos prédios e a sentir-nos formigas, passámos pela sede da Gazeta e vimos ao longe o logotipo gigante do Maksoud Plaza, o hotel onde foi filmada uma das cenas mais épicas da Torre de Babel, uma novela que era tão bem escrita e tão bem interpretada que me fez decidir, com 14 anos, que nunca mais ia ver novelas na vida porque tudo o que aparecesse depois daquilo ia ser indiscutivelmente pior.

Passámos mais 15 minutos numa paragem a tentar perceber a mística dos autocarros e decidimos interagir com um nativo,  a minha actividade preferida em férias. O senhor lá nos explicou qual era o ónibus que tínhamos que apanhar para ir para a Sé.

A Catedral de São Paulo não é particularmente bonita. Tem até, na sua construção, alguma austeridade (não me perguntem pelo estilo porque o que garantiu o meu 18 a História de Arte na faculdade foi a reportagem sobre a exposição da Graça Morais em Sines, e não propriamente os meus conhecimentos de arquitectura religiosa). E à saída da Sé: SURPRESA!!!, temos uma mini cracolândia à nossa espera numa praça enorme que temos que atravessar! Impressionou-me o modo jardim zoológico em que aquele sítio funciona… Dezenas de toxicodependentes que vivem naquele espaço, a ressacar da última dose e à espera da próxima, só à espera da próxima, e de nada mais e um monte de agentes da Polícia Militar que têm como único objectivo vigiá-los no seu curto espaço do mobilidade e garantir que não acontece nada aos poucos transeuntes que, como nós, optam por atravessar a praça. E é mesmo só isso porque quando fomos perguntar a um deles como é que íamos a pé para a Pinacoteca, provavelmente o museu mais conhecido de São Paulo, ele contorceu-se de pensamentos e depois de alguns minutos mandou-nos ir ter com o colega…

A explicação que conseguimos foi tão boa ou tão má que nos perdemos ao fim de duas ruas, e ainda bem! Com os enganos, entrámos numa zona assustadora da cidade onde nunca teríamos ido de outra forma. Atravessámos um mercado de rua estranhíssimo – o mais estranho que já vi – em que os vendedores têm na mão catálogos de roupa e ténis de marca que, depois de escolhidos aparecem vindos de um armazém sabe Deus onde…, há milhares de lojas e bancas com roupas e acessórios de carnaval, há as bugigangas mais feias que possam imaginar e sobretudo há uma concentração de pessoas de tal forma intensa que precisamos de pedir licença a um pé para mexer o outro e precisamos de garantir que estamos sempre em contacto visual ou físico um com o outro sob pena de nos perdemos para a eternidade… (sim, porque naquele sítio, eu não iria JAMAIS tirar o iphone da mala para ligar fosse para quem fosse!)

“Pronto, está bom. Enquanto experiência radical chega. Agora tira-nos daqui, por favor!” – foi a frase desesperada do Ricardo quando percebeu que aquilo se estendia por um emaranhado de ruas e não parecia ter fim. Agarrei-o por um braço e puxei-o para um rua que percorremos rapidamente, na esperança de conseguirmos sair daquela teia. Apanhámos um susto com uma perseguição policial a um vendedor e seguimos, sempre a olhar para a frente, na esperança de ver alguma rua conhecida (you’re nuts Joana Fernandes! Não pões os pés nesta cidade há vinte anos, estás à espera de conhecer o quê?!). E eis que de repente surge mesmo uma referência: o mercado municipal! Entrámos directamente para o corredor das frutas e tivemos a sensação de que todas as estações de metro de Nova Iorque estavam a desenbocar temporariamente para aquele espaço. Frutas como nunca vi, gente aos gritos, legumes surreais e por trás um aglomerado de abacaxis e mangas, tcharan: A Banca do Juca! Alguém aí se lembra da Banca do Juca na Próxima Vítima? Onde começou o romance entre o Tony Ramos (o Juca) e a minha estrela Natália do Vale (a “bonitona do Morumbi”)? Não, pois não? Pois… Têm razão… Só eu é que me lembro destas coisas 🙂 mas foi uma emoção!!!

Saímos do mercado pelas traseiras (e claramente notava-se que eram as traseiras!), e seguimos por uma zona pouco aconselhável (“lembrem-se, em São Paulo vocês conseguem sempre perceber se estão numa zona boa ou má”) em direcção ao que, pensávamos nós, era finalmente a Pinacoteca. Mas não… Não só não era ainda a Pinacoteca como, no local onde chegámos – o mega Museu da Ciência – ninguém soube indicar-nos o caminho. Exaustos, cheios de fome, sem a mínima noção de onde estávamos e sem nenhuma vontade de usar os telemóveis para tentar descobrir, sentámo-nos num banco a dizer parvoíces até voltarmos a ter ânimo para continuar a andar pela selva de betão.

O caminho até à Pinacoteca teve pouca coisa gira para contar e o próprio museu também, excluindo uma exposição temporária fantástica de pinturas orientais. Mesmo em frente à porta principal fica o Museu da Língua Portuguesa, onde fiz o Ricardo jurar que me levaria noutro dia, porque já não tínhamos pernas nem costas para fazer nada que não fosse procurar um ónibus para casa, o jardim da Luz e, descobrimos mais tarde, a Cracolândia!

Na volta para casa (pânico! “estamos completamente na outra ponta da cidade, onde raio é que vamos descobrir um ónibus que vá para Moema!?”), ainda passámos por uma antiga fábrica absolutamente devoluta, mas que está habitada de forma tão definitiva por, imagino eu, sem-abrigo e/ou toxicodependentes, que em muitos andares vê-se lâmpadas e cortinas através do espaço das janelas (que na realidade, não existem).

Encontrámos a custo um autocarro que passava em Moema (boa sorte para nós, para sabermos onde temos que sair) e lá fomos para casa, completamente rotos, depois de 6 horas a andar a pé pela cidade. Pouco tempo depois chegou o Francisco, que foi recebido entre abraços e muitas saudades e depois saímos para Pinheiros (ou será Vila Madalena?) para um jantar no RUAA – que recomendo vivamente (façam o favor de babar com o cardápio aqui). Óptimo ambiente, comida super boa e super chique (moderna, vá!) e com preços moderados para o género. E, claro, a parte sem preço: rever o Diogo e a Madalena 🙂 Dia cheio este!!!

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Sampa D1 | 20 anos depois…

Sampa do meu coração…

Não pisava esta terra há 20 anos e a verdade é que não me lembro de nada. As ruas são muito menos cinzentas do que eu imaginava, mas o tamanho imenso de São Paulo assusta-me.

À chegada à Rodoviária, o primeiro contacto com esta sociedade estranha: há táxis especiais e táxis comuns. Decidimos que um táxi comum dava perfeitamente para aquilo que queríamos e aí fomos nós.
2ª lição em São Paulo: os taxistas paulistas nunca sabem onde fica nada! O Ricardo, na sua ingenuidade, disse ao senhor o nome da rua e ficou à espera que acontecesse magia. Tendo em conta que cada bairro em São Paulo é uma cidade quase autónoma, lá me lembrei de dizer que aquela rua era em Moema e aí sim tivemos feedback “Ah tá, então eu vou na direcção de Moema e lá a gente procura!”. Ui, que medo!

A casa do Francisco fica num condomínio muito nice, parecido com todos os desta zona. Ao contrário do Rio, onde todos os prédios têm um portão de ferro, aqui todas as entradas dos edifícios têm dois níveis de segurança. Depois de respondermos ao porteiro, passamos o primeiro portão e ficamos entre dois portões metálicos. Só depois do primeiro portão fechar é que o segundo se abre, deixando-nos então entrar para o pátio de acesso à porta principal.

Estamos numa típica casa de consultores – está vazia! (Isto é tudo malta que trabalha 12 horas por dia e que não pára em casa, por isso, apesar de ser muito cedo, não está cá ninguém).

Dormimos para descansar da viagem e depois saímos para o Morumbi, onde uma reunião de trabalho que o Ricardo tinha e que era suposto durar uma hora e meia me deixou a dar voltas no Shopping durante 3 horas! Ao fim de ter visto duas vezes as várias mega livrarias dos vários pisos, decidi pôr-me a caminho do Parque Américas para ir resgatar o Ricardo.

Já é de noite, e garanto-vos que para quem está acabadinho de chegar, São Paulo à noite é uma experiência assustadora. Há milhares de pessoas, carros, ônibus, motas e bicicletas a cruzarem as imensas avenidas que circundam a zona. O desgraçado do Tietê (o rio mais feio do mundo) arrasta-se por entre os arranha-ceús e as gruas que o olham lá de cima como quem quer explicar à natureza o que é o progresso.

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Imaginei que o imenso viaduto automóvel que separa o shopping do Parque Américas tivesse passagem para peões, e não me enganei. Sempre a olhar por cima dos ombros, atravessei o Tietê e entrei no meio da selva de prédios.

Ainda tentámos voltar a pé para casa mas, parecendo que não, 5km à noite por ruas desconhecidas e ainda mais no único bairro de classe alta de São Paulo que tem uma favela dentro, talvez não seja boa ideia. Fizemos sinal ao primeiro táxi que passou, e foi nesse momento que percebemos que as coisas em São Paulo estavam mesmo difíceis. Quando perguntámos ao taxista se os táxis que estavam livres tinham a luz acesa ou apagada ele respondeu descontraidamente: “A luz deve estar sempre apagada independentemente de a gente ter passageiros. Só acendemos a luz quando suspeitamos que o passageiro está armado ou alguma coisa assim e aí a polícia manda a gente parar!”.

Pronto, está bem então. Para finalizar o dia em beleza, o Francisco, com quem só falámos ao telefone porque estava em Jacobina a finalizar um projecto, disse-nos que tínhamos que ir ao centro no dia seguinte, que era sexta-feira. Isto porquê? Porque o centro tem imensos edifícios lindos de morrer mas está super perigoso e ainda há o bónus da cracolândia. Se formos num dia de semana há mais gente, e por isso fica um bocadinho menos perigoso…

E com estas informações todas, dormi muito mais descansada! :-/