E não é que ele existe mesmo?!

Costuma dizer-se que um homem cumpriu o seu dever quando plantou uma árvore, escreveu um livro e teve um filho. Eu já plantei muitas árvores e embora nunca tenha sido mãe, dei muito colo aos meus meninos da Candeia. Faltava-me o livro, que já estava a ser escrito desde 2010.

Foi um processo longo, nem sempre fácil, mas chegou ao ponto de “ou vai ou racha” e aí, o que faltava foi feito de empreitada, desde a revisão de texto, até à escolha das fotografias e ao projecto gráfico, concebido pela Vanessa.

Depois, foi preciso escolher os materiais e os acabamentos e enviar as Artes Finais para a gráfica. O dia em que as caixas chegaram lá a casa foi emoção total! Afinal de contas, é o meu primeiro livro (hão-de vir mais) e cumpriu o objectivo que era ser uma mistura de diário de viagem e guia turístico do Rio. Estou muito, muito orgulhosa!

Primeiro chegaram as provas e os crachás:

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E depois, “O Timbre do Rio” prontinho:

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Estou emocionada!

O livro ainda está na gráfica e espero receber brevemente a prova de impressão, mas hoje chegaram os crachás que já trazem o logotipo e que estão lindos de morrer!

Apesar de ser uma tiragem de 50 exemplares e de ser só para a família e os amigos, porque é muito pessoal, não deixa de ser o meu primeiro livro. Começa a tornar-se realidade e só me apetece andar aos pulos 🙂

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Os Dias de Saturno

A minha história com este livro começou há mais de um ano, quando o Carlos Vaz Marques (pausa para vénia) decidiu convidar o Paulo Moreiras para um Café com Letras, uma iniciativa da Câmara Municipal de Oeiras que percorre as bibliotecas municipais do concelho e que consta de conversas entre autores portugueses e o público, moderadas pelo coordenador do Governo Sombra / Director da revista Granta / autor do Pessoal e Transmissível / melhor jornalista de rádio português (nova pausa para vénia). Fiquei cheia de vontade de ler “Os Dias de Saturno”, mas estava esgotado e tive que esperar até à Feira do Livro (Maio de 2012) para que, na sequência de uma combinação do meu pai com o Paulo Moreiras, tivesse direito a um exemplar com dedicatória do autor (grande pinta!).Na altura tinha começado recentemente a empreitada do “Guerra e Paz” e portanto “Os Dias de Saturno” ficaram em stand-by, até que, em Junho deste ano, decidi levá-los comigo para o Rio de Janeiro.Foi uma leitura absolutamente fascinante e que me transportou para a Lisboa do século XVIII, mesmo quando eu estava num parque com esta paisagem de sonho.

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Segui o Saturnino, protagonista das aventuras, por cada uma das vielas da cidade, com os seus cheiros e sons característicos. Com uma escrita absolutamente fluente, o Paulo leva-nos dos pinhais de Tomar até ao Rossio, sempre de coração nas mãos, para descobrir que mancha era aquela afinal que Saturnino transportava no peito desde a nascença. Apeteceu-me trincar os tremoços que a Lídia vendia ao pé  da Ermida de Nossa Senhora da Escada, apeteceu-me dar um enxerto nos capangas do Fidalgo, apeteceu-me beber vinho na Estalagem do Cachimbo na mesma mesa que o poeta Tomás Pinto e apeteceu-me estar à cabeceira da cama do Domingos Rodrigues a tentar reverter os efeitos da experiência química.

Obrigada Paulo! Obrigada CVM (pausa para vénia)! Muito, muito Obrigada!

RJ D6 | A Teresa, os meninos da Candelária e a última noite

Estamos quase de partida e isso é uma coisa que me deprime. Ter que sair desta cidade parece-me sempre uma violência brutal, como se me estivessem a arrancar do lugar onde pertenço.

Hoje tínhamos ficado de almoçar no Leblon com a Teresinha, uma das minhas duas melhores amigas da primária de quem perdi o rasto com nove anos e que reencontrei há mais ou menos seis meses. Saímos de casa para tomar o pequeno-almoço em Copacabana e seguimos para o Alto Leblon, onde fica o escritório onde a Teresa trabalha. Finalmente conheci a livraria Argumento, outro ícone cultural da cidade 🙂

Depois do almoço num boteco espectacularmente típico, fomos tentar descobrir onde é que havia um ônibus que nos levasse para o Cosme Velho onde queríamos ir visitar o Namasté, um centro de meditação e bioenergética. Depois de muito procurar à chuva, lá encontrámos o bendito ônibus, que, devido às obras na Ataúlfo de Paiva agora está a passar na Delfim Moreira, e atravessámos metade da cidade para chegar a uma das zonas mais bonitas do Centro. Por obra e graça do Espírito Santo, a ladeira do Ascurra, que queríamos encontrar, ficava exactamente ao lado do terminal de autocarros e foi fácil seguir o caminho em direcção ao cimo, de onde o Cristo nos espreitava por entre as nuvens.

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À saída do Cosme Velho, lembrei-me que ainda não tinha ido à igreja da Candelária, fazer o meu momento de homenagem às crianças vítimas da chacina de 1993. Apanhámos um trânsito infindo dentro de mais um autocarro que faz o percurso do mergulhão da Praça XV até à Rio Branco e descemos na Candelária. A igreja estava fechada, o que é estranho dado que, para os padrões portugueses, estaríamos na hora do terço. Parei, mais uma vez, cá fora, em frente à cruz e aos 8 corpos pintados a vermelho no chão. Continua a parecer mentira que tenha acontecido. Continua a não me entrar na cabeça. Fico ali, parada, em frente à cruz onde estão escritos os nomes dos oito que morreram, como se estar ali, a rezar por eles, me fosse trazer alguma explicação para o inexplicável. É uma agressão enorme ver aqueles corpos pintados no chão e é ainda mais violento ver o número de pessoas que cruza aquele passeio e que já não parece lembrar-se, ou então não quer lembrar-se, de um tempo em que o Brasil vivia a ferro e fogo e em que a polícia brasileira conseguiu produzir em dois anos a chacina da Candelária e o massacre do Carandiru.

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Hoje é a última noite no Rio e por isso, é tempo de incorporar as tristezas e ir dançar no Rio Scenarium, a melhor casa de samba da cidade. Sobre este assunto, exactamente o mesmo que há três anos atrás: felicidade estampada no rosto e no corpo que se sente ainda mais em casa, ainda mais carioca. Samba no pé até a noite acabar!

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RJ D5 | Botafogo – Aterro

Estar de férias no Rio, em Botafogo, e não aproveitar para andar de bicicleta é crime. Por isso, o 5º dia na cidade maravilhosa começou tarde, mas da melhor forma. Equipamento – check; bicicleta – check; folha e marcador para mandar o treino à PT – check; livro para ficar a ler no jardim – check! A ciclovia que liga Botafogo ao Aterro do Flamengo é simplesmente maravilhosa…

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Fui parando a meio do caminho para olhar para a paisagem, de tirar o fôlego, e ao fim de 45 minutos a pedalar, cheguei ao final do aterro. Pareo no chão, coco comprado e lá estava eu sentada à sombra de um coqueiro a ler mais aventuras do Saturnino, o protagonista d’”Os Dias de Saturno”, do Paulo Moreiras.

Confesso que achei estranho estar toda a gente sentada no passeio em vez de estarem debaixo das árvores… estava mesmo a pensar “Estes cariocas são doidos!”, quando um pássaro me chamou lá de cima, do coqueiro. olhei para ele e reparei que a minha cabeça estava mesmo por baixo de um coco. Fez-se luz… Talvez fosse por isso que os cariocas não se sentam debaixo dos coqueiros. Discretamente, mudei o meu estaminé para o sítio onde os nativos estavam sentados e deixei-me estar sossegada. Como diz o Ricardo, ainda bem que o Newton não era carioca…

De volta a casa e de banho tomada, optámos pelo melhor programa para se fazer no Rio, quando não há nada para fazer: IPANEMA! Demos algumas voltas até que começou a chover e se fez tempo de irmos para casa outra vez (o tempo em Ipanema passa muito rápido!). Eram seis e meia da tarde. A Martha e o Bernardo estavam a dormir e nós adormecemos os dois no sofá. Lembro-me de acordar às dez da noite e de levar o Ricardo para a cama e de acordar no dia seguinte.