Açores 2 | O Pilar da Bretanha

Decidimos que íamos começar a explorar os Açores logo no primeiro dia e portanto, fomos aos sites de trekking que tínhamos visto e escolhemos um percurso que nos pareceu simpático e com uma quilometragem mais ou menos: Vista do Rei – Sete Cidades (7km).

Chegámos à Vista do Rei esperançadas de que íamos ver a Lagoa das Sete Cidades, mas não conseguimos nem nesse dia nem em nenhum dos outros 4 em que lá fomos, porque o nevoeiro mostrou-se sempre em todo o seu esplendor.

Arrancámos para a caminhada ainda com as olheiras do dia anterior, como se comprova pela imagem…

Açores 0001

… e lá fomos todas contentes, literalmente por montes e vales, confirmando a cada esquina que a piada de nos Açores só se ver vacas é mesmo verdade:

Açores 0010

O caminho começou a piorar e deixámos de ver as marcas, mas estávamos convencidíssimas de que estávamos no caminho certo. O trilho deveria ser qualquer coisa como isto…

Trilho Lagoa

… passadas algumas horas, muitas mais do que seria de esperar para completar o percurso, Sete Cidades, nem vê-la. Aliás, só se via nevoeiro, campos e vacas. Começou a surgir alguma preocupação, mas achámos sempre que ia correr tudo bem, como, aliás, é nosso apanágio em todas as situações, e seguimos em frente. Mais um par de horas a andar, a começar a chover, sem vermos marcas nem sinais de pessoas e com o GPS a falhar, começámos a ficar preocupadas, até porque tinha anoitecido e não fazíamos a mínima ideia de onde estávamos. Insisti para continuarmos a descer, porque achei que íamos ter a algum lado, e fomos… chegámos à estrada, andámos mais umas dezenas de metros e vimos duas casas. Decidimos pedir ajuda. Batemos a uma porta e explicámos que tínhamos o carro na Vista do Rei. A cara de pânico do senhor que nos atendeu não nos tranquilizou. Estávamos no Pilar da Bretanha, a mais de 11km do ponto inicial…

Pilar da Bretanha

… com uma enorme simpatia, o senhor tirou de casa a esposa e o filho bébé e foi levar-nos de carro até à Vista do Rei. Pelo caminho lá nos foi dizendo que a Vista do Rei não era um lugar seguro de noite e que era uma sorte se chegássemos lá e ainda tivéssemos os 4 pneus no carro… Scary Stuff!!!

Chegadas à Vista do Rei, encontrámos o nosso carro tal e qual como tinha ficado. Agradecemos à família que nos safou o dia e entrámos no carro para voltar a casa. Assim que ligámos o carro, mais um problema: depósito na reserva! Pânico!!! Ainda perguntámos à nossa família “de acolhimento” onde é que havia uma bomba ali próximo e a resposta foi aterradora… “Agora, só em Ponta Delgada!”. Ou seja… a 26km de distância!!! Portanto… a aventura ainda não acabou… Era de noite, estava um nevoeiro demoníaco, havia imensos obstáculos na estrada (carrinhas estacionadas em 4 piscas, que só conseguíamos ver quando estávamos a 3 metros) e precisávamos de chegar a Ponta Delgada com o carro na reserva…

Depois de conduzir 26km nestas condições:

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…lá chegámos a Ponta Delgada, onde descemos a avenida de entrada na cidade em ponto morto até à bomba de gasolina. Aí, depois de carregado o depósito, decidimos ir tomar um banho e jantar em casa. Foi um dia e pêras!

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Sampa D3 | Restaurantes

Sábado foi aquilo a que chamamos um dia preguiçoso, embora o ritmo alucinante de São Paulo não puxe muito para essa actividade.

De manhã fomos a uma feirinha com comida típica e artesanato e por lá ficámos a conversar e a comer pasteis:

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Também descobrimos que há mesmo MUITOS portugueses a viver aqui. Só na nossa mesa de almoço / lanche éramos 20 e nós os dois éramos os únicos de passagem. Saímos de casa tarde e a más horas. Andámos a pé (não muito) e fomos até Vila Madalena onde a malta tuga estava a almoçar (ou lá o que era) uma mega picanha. Aí pudemos ouvir as histórias de quem, contra vontade, foi obrigado a sair do país em busca de uma vida que sonhou diferente. Uns estão felizes, outros menos, mas todos a morrer de saudades de casa, com a noção de que não poderão voltar tão cedo e com a certeza de que, nos próximos tempos, vão gastar todas as economias e todos os dias de férias em idas a Portugal.

A tarde foi passada entre petiscos e cervejas e só de noite, já bem à hora do jantar é que nos apercebemos das horas.

São Paulo é como Nova Iorque, tem o melhor do mundo de toda a comida do mundo e portanto, depois da picanha e depois de muito discutirmos o nosso destino seguinte, seguimos para um rodízio de sushi absolutamente fantástico, com o serviço de mesa mais rápido que já vi, com comida maravilhosa e com um convívio à mesa que fez esquecer aos emigrantes e aos turistas todo o mundo fora das paredes do restaurante. E saímos de lá com este bom ar:

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O programa da noite já estava preparado pelo Francisco há mais de um mês: FUN Farra no Cine Jóia. À ida para lá, no táxi, perguntei-lhe se aquela zona era segura, uma vez que não me parecia nada que fosse e eu pretendia apanhar um táxi sozinha lá pelas quatro da manhã, quanto eles ficariam na festa até ao final da noite. O Francisco deu-me a resposta que eu já tinha adivinhado… “A zona não é boa, mas tens um ponto de táxis mesmo à porta, por isso sais da discoteca a correr, entras num táxi e já está!”. Exacto. Simples a vida em São Paulo!

Da noite ficam estas imagens, da autoria da Diana e um grande elogio do taxista que me levou a casa que depois de me dizer que eu tinha um sotaque engraçado e de me levar aos arames porque eu deteste brasileiros que acham que nós é que temos sotaque, respondeu ao meu “Eu? Sotaque? Mas tenho sotaque de onde?” com isto: “Do Rio de Janeiro. Dá pra notar bem que você é carioca!”. E pronto, quer dizer que o meu carioquês está a atingir a perfeição e eu gosto disso 🙂

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RJ D6 | A Teresa, os meninos da Candelária e a última noite

Estamos quase de partida e isso é uma coisa que me deprime. Ter que sair desta cidade parece-me sempre uma violência brutal, como se me estivessem a arrancar do lugar onde pertenço.

Hoje tínhamos ficado de almoçar no Leblon com a Teresinha, uma das minhas duas melhores amigas da primária de quem perdi o rasto com nove anos e que reencontrei há mais ou menos seis meses. Saímos de casa para tomar o pequeno-almoço em Copacabana e seguimos para o Alto Leblon, onde fica o escritório onde a Teresa trabalha. Finalmente conheci a livraria Argumento, outro ícone cultural da cidade 🙂

Depois do almoço num boteco espectacularmente típico, fomos tentar descobrir onde é que havia um ônibus que nos levasse para o Cosme Velho onde queríamos ir visitar o Namasté, um centro de meditação e bioenergética. Depois de muito procurar à chuva, lá encontrámos o bendito ônibus, que, devido às obras na Ataúlfo de Paiva agora está a passar na Delfim Moreira, e atravessámos metade da cidade para chegar a uma das zonas mais bonitas do Centro. Por obra e graça do Espírito Santo, a ladeira do Ascurra, que queríamos encontrar, ficava exactamente ao lado do terminal de autocarros e foi fácil seguir o caminho em direcção ao cimo, de onde o Cristo nos espreitava por entre as nuvens.

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À saída do Cosme Velho, lembrei-me que ainda não tinha ido à igreja da Candelária, fazer o meu momento de homenagem às crianças vítimas da chacina de 1993. Apanhámos um trânsito infindo dentro de mais um autocarro que faz o percurso do mergulhão da Praça XV até à Rio Branco e descemos na Candelária. A igreja estava fechada, o que é estranho dado que, para os padrões portugueses, estaríamos na hora do terço. Parei, mais uma vez, cá fora, em frente à cruz e aos 8 corpos pintados a vermelho no chão. Continua a parecer mentira que tenha acontecido. Continua a não me entrar na cabeça. Fico ali, parada, em frente à cruz onde estão escritos os nomes dos oito que morreram, como se estar ali, a rezar por eles, me fosse trazer alguma explicação para o inexplicável. É uma agressão enorme ver aqueles corpos pintados no chão e é ainda mais violento ver o número de pessoas que cruza aquele passeio e que já não parece lembrar-se, ou então não quer lembrar-se, de um tempo em que o Brasil vivia a ferro e fogo e em que a polícia brasileira conseguiu produzir em dois anos a chacina da Candelária e o massacre do Carandiru.

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Hoje é a última noite no Rio e por isso, é tempo de incorporar as tristezas e ir dançar no Rio Scenarium, a melhor casa de samba da cidade. Sobre este assunto, exactamente o mesmo que há três anos atrás: felicidade estampada no rosto e no corpo que se sente ainda mais em casa, ainda mais carioca. Samba no pé até a noite acabar!

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Sempre vens para o café?

 

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Preciso de dormir, mas parece que é de dia. Continuas a olhar para mim da janela e a entrar à força pelas cortinas demasiado transparentes que eu insisti em ter porque queria acordar com a luz do sol.

Se queres entra, bebe um café, ou chá, porque já é tarde… pensando bem… é tarde para mim, que amanhã trabalho e preciso mesmo de dormir. Mas tu começas agora o turno, não é? Então vá, vou ligar a máquina. Senta-te e faz de conta que é a tua casa. Já que não me deixas descansar, sempre me fazes companhia. Mas porque é que vieste hoje? Não me digas que foi a Maria e o Ricky que te mandaram porque eu disse que precisava de uma luzinha… é capaz de ser isso porque eles nunca me falham.

Então e o que é que tens feito? Começa tu, porque se eu for falar da minha vida ficamos aqui até de manhã e tu não podes deixar o mundo às escuras. A minha mãe gosta muito de ti, sabias? Não sei porquê. Deve ser por causa das fases. Eu também tenho muitas fases e ela também gosta muito de mim, por isso faz sentido.

Como é que é isto tudo lá de cima? Já te deste conta de que o país anda deprimido? Não? Pois, é natural. Tens muita gente para ver e nós somos tão pouquinhos… Sempre é verdade que Deus existe? Ah! Também não sabes… pois… uns dizem que sim, outros que não e eu, por mais que pense, não chego a conclusão nenhuma…

Deve ter graça ver isto tudo do alto. De certeza que nunca te cansas… tens milhões de casas e hotéis e cabanas para ver e biliões de vidas para observar. Às vezes não gostas de imaginar quem são as famílias por trás das janelas iluminadas, como eu fazia quando passava na 2ª circular dentro do carro do meu pai e via os prédios de Benfica?

Consegues falar com pessoas? Não? Ah, é pena… Se não mandavas um beijinho ao António. E ao Nando, e ao Marco, e à Carla, e aos Pompas! Tenho tantas saudades deles… e dos outros todos! Dói tanto… a mim, pelo menos, dói-me. O sofrimento do mundo em geral. Não consigo ver ninguém sofrer sem trazer um bocadinho desse sofrimento comigo e torna-se muito cansativo…

Gostas de música? A sério? Nice! Eu estive duas horas a tocar e estou cheia de dores nas costas, mas quando estava ao piano nem dei pelo tempo.

Então e agora? Tens de ir não é? Tens que ir iluminar outras cidades. Vai lá então, lua. Mas começa pelo Rio, para que o caminho deles continue iluminado em direcção ao futuro que merecem ter. E não te esqueças do resto da malta… Amsterdão, Londres, Nova Iorque, Macau, Macerata, São Paulo… Se não podes falar com eles, quando lá chegares pisca duas vezes. Eles vão saber que eu não me esqueço.

Foto Luz
Concerto Simone, Coliseu dos Recreios, 12 Abril 2011 by Rui M. Leal

Super fim-de-semana

Nada melhor antes de dois dias de trabalho louco do que um fim-de-semana revigorante, de preferência a fazer coisas novas. E assim foi. Depois da tarde de sexta-feira em que me dediquei a namorar a minha casa durante algumas horas, começou a party, que durou desde as 11 da noite de sexta até às 3 da manhã de Domingo! Obrigada à Teresa, à Tatiana e à Inês que me levaram para um workshop de 2 dias de Kizomba e Bachata. Já não me divertia tanto há muito tempo e adorei o ritmo: Festa – casa – banho – mudar de roupa – fato de treino – workshops – comer – workshops – casa – banho – mudar de roupa – festa – e assim sucessivamente.

Depois disto, o Domingo foi para dormir até tarde (até tão tarde que encanzinei o dia todo e tive que faltar a um café que tinha combinado) e descansar, com almoço em casa da avó, lanche em casa do pai e sopinha e leitura à noite em casa da mãe, onde, como não podia deixar de ser, o serão dominical acabou a beber as palavras do ídolo Pedro Barbosa sobre as partidas da jornada!

E assim, levantar hoje às 06h30 para uma jornada de 12 horas de trabalho a falar 4 línguas em simultâneo, não custou mesmo nada!