Dos dias em que um jornalista não quer ir trabalhar

Por maior paixão que se tenha pela profissão que se escolheu, há dias em que um jornalista pagava para não ter que ir trabalhar…

Há notícias que não queremos dar (muitas), há notícias que nos doem (sim, porque nós também sentimos coisas) e há notícias que nos obrigam a ser a nós próprios, mesmo com os microfones abertos.

Há em Portugal a mania (de que eu também já sofri) de que os jornalistas não podem pensar e dizer coisas e de que os jornais não podem ter editoriais explícitos.

E há gente com coragem, que se borrifa para isso e que decide, num dia especial como o de hoje, fazer um jornal à americana e dizer explicitamente, em directo, qualquer coisa como “Hoje não queria fazer este jornal – tenho que dar a notícia da morte de um homem a quem pude chamar amigo!”. Ainda bem que há pessoas como o Rodrigo Guedes de Carvalho (e claro que o estatuto ajuda a que possa dizer o que lhe vai na alma) que não tem vergonha de fazer um jornal em que é notório que está de rastos. Não faz mal, porque nós também sentimos coisas e não fazemos pior o nosso trabalho por isso.

 

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