Tenho opiniões fortes sobre educação!

Como por exemplo ficar com comichão com o facto de, a partir dos seis meses de vida, as mães verem os filhos pouco mais do que duas horas por dia. Não tenho nada contra infantários e não estou a criticar as mães que lá põe os filhos. Longe de mim. Todas as minhas amigas o fazem e não acho que sejam mães menos boas por isso. Aliás, porque é que eu hei de achar coisas se ainda não passei por isso?

Só que quando me ponho a pensar “Como é que será com os meus?” faz-me confusão isto. E não quero isto para mim. Nem para eles. Pode ser o meu lado idílico de sonhar criar os miúdos no campo, com animais e horta e tal, mas também pode ser um sentimento (cada vez mais certeza) de que, no meu caso, é isso que é correcto e que é isso que quero fazer. Não me perguntem como é que vou fazer para sustentar as crianças se não trabalhar, ou a trabalhar em part-time, mas alguma coisa se há de arranjar.

Na semana passada a minha amiga Dalila partilhou este vídeo. É certo que nada é uma solução mágica, mas também é certo que o contacto com a natureza faz magia com as crianças e eu vi isso acontecer durante muitos anos de Campos de Férias com os meus miúdos do voluntariado.

Não digo que tirem as crianças todas da escola para as porem a dormir ao relento, mas umas actividades de explorador da natureza ao fim-de-semana fazem maravilhas (e também podem fazer arranhões e nódoas negras, que também têm o seu lado bom)!

Visitors pond-dipping at Wicken Fen National Nature Reserve, Cambridgeshire.

(foto roubada aqui)

Açores 3 | As Furnas

As Furnas constituem um clássico nas visitas à ilha de São Miguel e, como dizia o outro, já que “Clássico é clássico e vice-versa” decidimos começar em grande, e provar o cozido típico da região. É basicamente igual ao outro mas tem um sabor entranhado a enxofre. De qualquer maneira, deu-nos as calorias necessárias para mais uma grande caminhada.

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Após o repasto no Tony’s, pelo que nos disseram, a grande referência na especialidade, seguimos o nosso caminho até à Lagoa e achámos por bem deixar o carro cá em baixo, na povoação, que tanto uma como outra queríamos reduzir o perímetro abdominal e tonificar as pernas…

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A subida a pique começou com esta paisagem verdejante e manteve-se dura até avistarmos o poste com a sinalização de caminho certo, mesmo em frente à lindíssima Lagoa das Furnas. Depois de uma mirada nas Caldeiras, onde o cheiro a Enxofre me deu alguma vontade de vomitar, e porque gostamos de complicar aquilo que é sim

ples, porque não fazer um trilho dentro de outro trilho e interromper o trilho da Lagoa ara subir ao Pico do Ferro?

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Como eu e a Sofia funcionamos na base de uma dizer “Mata!” e a outra “Esfola!”, lá fomos nós pela mata acima a vislumbrar aquela paisagem suíça de pastos e vacas a perder de vista. Chegadas ao topo, depois de alguma lama, foi altura de uma foto ao estado lastimável das botas e um brinde enviado aos amigos ausentes:

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Depois da descida, que se revelou mais difícil do que a subida que tínhamos acabado de fazer, ainda decidi tentar dar a volta à Lagoa por um lado que ainda estava inundado, enquanto a Sofia ficou sossegada a rir à gargalhada das minhas tentativas de não escorregar para dentro do lamaçal.

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Depois de uma volta quase completa à Lagoa (pelo lado com estrada), lanchámos e tirámos uma data de fotos a uma igreja abandonada antes de começar a descer de volta à povoação, que o meu medo do escuro não se coaduna com permanecer em matagais após o pôr-do-dol e entre cozido, cervejas frescas e sandes feitas em casa, fizemos nada mais nada menos do que 12km:

Furnas

Açores 2 | O Pilar da Bretanha

Decidimos que íamos começar a explorar os Açores logo no primeiro dia e portanto, fomos aos sites de trekking que tínhamos visto e escolhemos um percurso que nos pareceu simpático e com uma quilometragem mais ou menos: Vista do Rei – Sete Cidades (7km).

Chegámos à Vista do Rei esperançadas de que íamos ver a Lagoa das Sete Cidades, mas não conseguimos nem nesse dia nem em nenhum dos outros 4 em que lá fomos, porque o nevoeiro mostrou-se sempre em todo o seu esplendor.

Arrancámos para a caminhada ainda com as olheiras do dia anterior, como se comprova pela imagem…

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… e lá fomos todas contentes, literalmente por montes e vales, confirmando a cada esquina que a piada de nos Açores só se ver vacas é mesmo verdade:

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O caminho começou a piorar e deixámos de ver as marcas, mas estávamos convencidíssimas de que estávamos no caminho certo. O trilho deveria ser qualquer coisa como isto…

Trilho Lagoa

… passadas algumas horas, muitas mais do que seria de esperar para completar o percurso, Sete Cidades, nem vê-la. Aliás, só se via nevoeiro, campos e vacas. Começou a surgir alguma preocupação, mas achámos sempre que ia correr tudo bem, como, aliás, é nosso apanágio em todas as situações, e seguimos em frente. Mais um par de horas a andar, a começar a chover, sem vermos marcas nem sinais de pessoas e com o GPS a falhar, começámos a ficar preocupadas, até porque tinha anoitecido e não fazíamos a mínima ideia de onde estávamos. Insisti para continuarmos a descer, porque achei que íamos ter a algum lado, e fomos… chegámos à estrada, andámos mais umas dezenas de metros e vimos duas casas. Decidimos pedir ajuda. Batemos a uma porta e explicámos que tínhamos o carro na Vista do Rei. A cara de pânico do senhor que nos atendeu não nos tranquilizou. Estávamos no Pilar da Bretanha, a mais de 11km do ponto inicial…

Pilar da Bretanha

… com uma enorme simpatia, o senhor tirou de casa a esposa e o filho bébé e foi levar-nos de carro até à Vista do Rei. Pelo caminho lá nos foi dizendo que a Vista do Rei não era um lugar seguro de noite e que era uma sorte se chegássemos lá e ainda tivéssemos os 4 pneus no carro… Scary Stuff!!!

Chegadas à Vista do Rei, encontrámos o nosso carro tal e qual como tinha ficado. Agradecemos à família que nos safou o dia e entrámos no carro para voltar a casa. Assim que ligámos o carro, mais um problema: depósito na reserva! Pânico!!! Ainda perguntámos à nossa família “de acolhimento” onde é que havia uma bomba ali próximo e a resposta foi aterradora… “Agora, só em Ponta Delgada!”. Ou seja… a 26km de distância!!! Portanto… a aventura ainda não acabou… Era de noite, estava um nevoeiro demoníaco, havia imensos obstáculos na estrada (carrinhas estacionadas em 4 piscas, que só conseguíamos ver quando estávamos a 3 metros) e precisávamos de chegar a Ponta Delgada com o carro na reserva…

Depois de conduzir 26km nestas condições:

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…lá chegámos a Ponta Delgada, onde descemos a avenida de entrada na cidade em ponto morto até à bomba de gasolina. Aí, depois de carregado o depósito, decidimos ir tomar um banho e jantar em casa. Foi um dia e pêras!

Caros “Ouvintes”,

Para todos aqueles que me perguntam várias vezes porque raio é que eu, sendo hetero, me dedico tanto à causa LGBT, aqui vai o esclarecimento:

Porque é que não me perguntam porque é que eu me dedico à causa da libertação do Tibete se não sou tibetana?

Ou porque é que sou a favor da liberdade religiosa, se sou ateia graças a Deus (como diria o padre Nuno!)?

Ou porque é que me envolvi na luta pelo sim à despenalização do aborto se nunca estive grávida?

Ou porque é que colaborei com o Centro de Recuperação do Lobo Ibérico, se sou uma pessoa, e não um lobo ibérico…?

Ou porque é que apoio o projecto Gota de Água se não sou uma árvore da Amazónia?

É porque eu acho que faz parte desta coisa gira que é sermos cidadãos do mundo lutarmos pelos direitos uns dos outros, e porque estou cansada de ver amigos meus a sofrer por causa de pessoas e leis preconceituosas. E porque a maior parte das pessoas que critica ou faz piadas com a homossexualidade não faz a mínima ideia do que é a vida difícil dos LGBT. Mesmo! Quantos de vocês já conviveram de perto (e quando eu digo conviver de perto é mesmo conviver de perto, não é só “Ah, eu conheço um!”) com um casal homossexual? Experimentem, a sério. Vão perceber que são iguaizinhos a nós, sem tirar nem pôr!