Museu dos Descobrimentos

A primeira coisa que aprendi sobre ter um cão bebé é que nos resta pouco tempo para outras coisas que não sejam educar, brincar, limpar e dar colo a este ser peludo que invadiu a casa há pouco mais de uma semana. Além das horas normais de trabalho, tenho a sensação de não ter feito absolutamente mais nada esta semana. E, claro, também não consegui vir aqui contar-vos coisas giras.

Uma aventura que tinha em dívida já há bastante tempo era a crónica da minha visita ao recém criado Museu dos Descobrimentos, no Porto. Chama-se World of Discoveries e vem colmatar uma lacuna grave no panorama museológico português: o de não haver uma exposição permanente de qualidade sobre a Expansão Portuguesa.

Rumámos ao Porto para uma visita que não foi tão boa quanto esperávamos, não porque o Museu não seja muito interessante, mas porque foi atingida por uma das minhas enxaquecas assassinas que me toldam o raciocínio e que tornam um suplício estar acordada ainda que de olhos fechados.

Mas vamos ao que interessa… O Museu está montado num prédio de fachada estreita, na Ribeira do Porto. A entrada é acompanhada por simpáticos animadores trajados a rigor que nos levam a passear pelas várias sala com écrans interactivos repletos de informação sobre a história da Expansão e por salas caracterizadas como convés de navios, onde vestimos armaduras e carregamos canhões. Após várias salas, chegamos ao Cais, onde somos convidados a embarcar em pequenos navios que nos levam, por um circuito aquático, a passar pelas várias fases e destinos da Presença Portuguesa no Mundo. Alguns dos animais são verdadeiros o que dá ainda mais ambiente ao passeio.

O ponto fraco é a loja onde não encontrei nada que valesse a pena trazer como recordação.

Os bilhetes não são baratos. O de adulto custa 14€ se for comprado no Museu e 11,90€ se for comprado online.

Ainda assim, se passarem pelo Porto, vale a pena ir conhecer. Deixo umas fotografias do passeio de barco para abrir o apetite:

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Sampa D4 | o Carandiru e o MLP

Domingo pós-festa é igual a acordar às quinhentas (again!).

O brunch foi num spot espectacular, ao pé de casa, de onde apanhámos o táxi para o Carandiru (sim, o ex maior presídio da América latina!). Esforcei-me bastante para não dizer ao taxista que íamos para o Carandiru, para não dar mau aspecto. Disse que íamos para a Cruzeiro do Sul e nada, tentei Parque da Paz e nada (não sei se já vos tinha dito, mas os taxistas em São Paulo nunca sabem ir para lado nenhum). Até que, conformada, disse “Para o Carandiru!”. Resposta: “Ah, o presídio!”. Pronto…

É difícil acreditar no que já existiu naquele lugar… Achei que, quando chegasse lá, ainda me ia cheirar a sangue e a desumanidade. Mas não… o tempo e a prefeitura deram à cidade um espaço fantástico que hoje está cheio de famílias, jovens e crianças que passeiam, comem e fazem desporto em cima dos destroços da carnificina que envergonhou o Brasil em 1992, dois anos antes da minha chegada a São Paulo. 111. Cento e onze mortos. Todos prisioneiros. Zero PM’s. A história e toda a sua envolvência arrepia-me até hoje, e por isso fiz questão de aqui vir, prestar a minha humilde homenagem àqueles que morreram. Mesmo que a minha homenagem seja só caminhar pelo parque e contar, aos que estão comigo, a história dos que morreram e do que era o mundo do crime em São Paulo no início da década de 90. Ainda bem que o Carandiru já não existe, mas continuo a achar que um dos pavilhões devia ter ficado de pé e aberto ao público, como os campos de concentração. Não estou a comparar a dimensão, mas seria útil, para que nunca nos esqueçamos do que ali aconteceu.

Não há fotos, porque esta também não é um zona boa, mas fica a de uma rua das redondezas e que é igual a muitas das ruas de São Paulo.

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“Bom, então posto isto, eu quero ir ao Museu da Língua Portuguesa”. Esta minha frase foi o gatilho para o Francisco chamar um táxi, mas eu travei-o a tempo.
Joana – “Aqui há metro e na Luz, também. Vamos de metro.”
Francisco – “Como é que sabes que qui há metro?”
Joana – “Por causa do livro. Chama-se Estação Carandiru porque o Dr. Dráuzio Varella, quando vinha fazer voluntariado aqui na prisão vinha de metro e saía sempre na estação Carandiru!”
Francisco – “Pronto. Lá está ela a achar que conhece a cidade toda! Que nervos! :-)”

Entrar naquela estação foi uma experiência. Imaginar como seria naquela altura. Como seria o ambiente, os sons, os cheiros… Agora é bem diferente e quem não souber o que ali se passou, passa pela zona sem se dar conta. Se calhar é assim que tem que ser. Eu acho que não. Três paragens depois, chegamos à Estação da Luz (sim, Francisco, tinha valido a pena virmos de táxi! eheheh), onde nos encontrámos com a Diana.

O Museu da Língua Portuguesa é maravilhoso, dentro do género Letras, claro, que pode parecer estranho para quem não é da área. Tem um primeiro andar com uma exposição temporária que mostra o acervo de Ruben Braga e de onde tirámos estas pérolas:

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O segundo andar é um sítio onde eu ficaria dias a fio. Explica a evolução da língua hoje falada no Brasil, desde as origens até agora e mostra, em ilhas específicas, de que forma é que cada língua influenciou o brasileiro de hoje (desde as línguas europeias até às indígenas!):

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E por fim, no último piso, tem um filme com narração de Fernanda Montenegro que fala sobre a origem da língua falada, de onde passamos para uma sala onde, todos sentados em roda, ouvimos as melhores vozes do Brasil (cantores, actores e autores) a declamar os melhores poemas escritos em língua portuguesa. Claro que é na voz de Maria Bethânia (pausa para vénia de joelhos) que nos aparece Fernando Pessoa:

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Para bónus, o Museu está inserido na Estação da Luz, uma fantástica estação de metro e comboio, que ao fim do dia fica com este visual:

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Aqui, sim, estamos muito perto da Cracolândia e não convém dar passos para fora de pé. Daqui, sai-se dentro de um transporte e de preferência táxi. Foi o que fizemos, a caminho do bairro japonês 🙂

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Depois de atravessar a multidão (São Paulo é assim, aparentemente estava a acontecer um Festival com direito a concertos ao vivo de rock japonês na rua), deparámo-nos com o nosso restaurante fechado, por mudança de instalações. Toca de apanhar outro táxi para outro bairro (perto da Paulista) para onde o dito restaurante se tinha mudado. Jantar terminado e qual é o programa típico de paulista que nós ainda não tínhamos feito??? Shopping!

Uma pequena nota para explicar que há uma aplicação para smartphones que serve para chamar táxis de confiança em São Paulo. Nós chamamos o táxi, o smartphone usa a nossa localização para indicar ao taxista onde estamos e envia-lhe uma foto do dono do smartphone. E nós recebemos no telefone uma foto e o nome do taxista e o número do táxi!

O Francisco e a Diana levaram-nos ao Shopping JK Iguatemi, o shopping mais caro da América Latina, só para vermos o luxo dos corredores, dos restaurantes, das lojas (como esta de vinhos na imagem)…

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Vistas as lojas onde as pessoas que têm muito dinheiro fazem compras, fomos ao supermercado comprar pipocas de pacote para fazer no micro ondas mais pro que eu já vi e vimos um filme em casa 🙂

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