“Jogo de Morte”

Jogo de Morte

Já tudo foi escrito sobre o Holocausto… até mesmo que não existiu.

Não é fácil pegar num tema que já tanta gente tratou e torná-lo novamente interessante, sobre tudo aquele que é o tema mais duro de todos.

Paolo Maurensig teve a ousadia de transformar o extermínio do povo judaico num jogo. Um duelo entre dois homens do qual depende a vida de outros homens.

Num dos campos de concentração da 2ª GGM, um oficial nazi descobre entre os prisioneiros um antigo campeão de xadrez… a partir daí, as noites no campo nunca mais foram as mesmas.

Numa luta diária pela sobrevivência, os dois jogadores batem-se em frente ao tabuleiro preto e branco colocando à disposição da sorte a vida dos prisioneiros do campo.

Este é daqueles que, quando se começa, não dá para largar!

O meu primeiro de Maio…

… foi passado no meio de uma multidão a comprar desenfreadamente… LIVROS!

Há muito tempo que não via a Feira com tanta gente, de todas as idades, a comprar livros de todos os géneros.

O Parque estava lindo, como sempre, e ver famílias a passar o feriado junto da literatura é sempre uma alegria! Lá discute-se os livros, lidos e não lidos, com família e amigos, vê-se as novidades, encontra-se tesouros perdidos e convive-se com os autores.

No enorme espaço da Leya, onde as filas para pagar rivalizavam com as do Pingo Doce, reencontrámos o Paulo Moreiras, autor de “Os Dias de Saturno” e que, depois do Café com Letras, tinha prometido ao meu pai assinar um livro para mim 🙂

Encontrámos a tia Carol, também maravilhada com a presença do prof. Sardica, encontrámos o prof. Daniel Sampaio (um dia ainda vou lê-lo, prometo) e encontrámos o Simão Rubim a promover o seu Poemário, que vamos ver no dia 17.

Bebemos um café em copo de chocolate, trouxemos 4 livros pelo preço de 3 (na verdade, aproveitámos e trouxemos 8 pelo preço de 6) e jantámos em casa a discutir livros e a confirmar que a literatura, juntamente com a música, são as mais bonitas das artes!

Imagem Feira do Livro
Fonte: Do Capibaribe ao Tejo 

Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres

Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres

Estar a ler o “Guerra e Paz” tem a vantagem de podermos ler outras coisas entretanto. Ainda mais quando se está a ler o “Guerra e Paz” condensado num só volume, ou seja, mais de 1000 páginas de letra tamanho 8!

Estava lá em casa desde Dezembro, à espera que eu ganhasse coragem para o abrir, “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”. E um destes Domingos de sol, decidi levá-lo a passear até à praia de Paço de Arcos onde nos sentámos a conversar. E foi uma conversa tão boa que só terminou à noite e na última página. Na verdade não acabou, porque o livro termina com “:” o que não é propriamente um fim.

Fiquei com vontade de o ler depois de ouvir a Zélia Duncan a falar sobre ele como só um apaixonado das letras falaria “O livro começa com uma vírgula, então é um livro que já começou e que eu tenho que pegar no meio, como se fosse um trem já em movimento.” E é mesmo. A história já começou, sem que eles tivessem a delicadeza de esperar por nós e, ou apanhamos o barco, ou ficamos em terra…

É um pânico ter que escrever sobre um livro destes… é tão difícil… só lendo é que se percebe o quanto ele é especial.

Toda a história e aquele romance lindo entre aqueles dois seres é de uma delicadeza, de um respeito (por cada um deles e pelo que sentem um pelo outro) que nos parece ser vivido noutro mundo que não o nosso. Foi um mergulho intenso noutra dimensão. Não consegui parar (ainda bem que era Domingo), e no fim, apesar da vontade de ler mais e mais, e dos dois pontos que não encerram a história, ficamos com a nítida sensação de que o que se vai passar a partir dali já não nos diz respeito.

Fantástica obra da Clarice. Valeu ZD!