As coisas como dantes

Quem acompanha este blog há alguns anos já percebeu que eu passei de uma solteira hiperactiva que conseguia encaixar cerca de 30 horas em cada dia para uma pacata fada do lar que adora estar em casa sossegada, junto à família. Porém… às vezes conjugam-se vários factores e vai daí que uma pessoa dá por si com dois fins-de-semana seguidos à moda do antigamente e relembra-se porque é que gostava deste ritmo… é que isto é viciante 🙂

Este Sábado começou com um Trail de 11km no Monsanto debaixo de chuva, com malta da empresa. É muito fixe trabalhar com este pessoal! E sim, foram mesmo 11km, eu é que não liguei o Run Keeper desde o início. A tarde foi em casa entre a bancada da cozinha e o sofá, mas à noite seguiu-se um jantar de anos e no dia seguinte de manhã, um concerto com o St. Dominic’s nas comemorações dos 125 anos dos Bombeiros Voluntários de Linda-a-Pastora.

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Para a semana será ainda mais agitado, mas com eventos bem nices, onde também podem e devem aparecer:

Tranpolim Gerador – Vamos ter uma sessão da Roda dos Livros ao vivo e aberta ao público, a partir das 15h30 na Maria da Mouraria;

Workshop Vegan Brunch by A Cozinha Verde – a partir das 18h30, na Mercearia Saloia, em São Bento (para este é preciso inscrição prévia e tem um custo de 20€/pax);

Corrida da Mulher – 5km contra o cancro da mama, onde vou com uma corajosa equipa de 9 mulheres também minhas colegas de trabalho. Acho que ainda podem inscrever-se 🙂

Cheira-me que o Domingo à tarde vai ser assim…

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O que faz uma ateia na missa?

No meu caso é fácil de responder… já fiz quase tudo, menos estar no lugar do padre…

O meu percurso de escola,  faculdade e voluntariado católicos levou-me a ter entre os meus amigos e conhecidos mais padres e seminaristas do que seria expectável, ainda mais para uma ateia convicta. Porém, além de preparar as missas de campo, ir a missas de ordenação, missas novas, cantar nos casamentos de amigos e assistir aos votos dos noviços da Companhia de Jesus, como se tudo isso não bastasse, há quase três anos achei por bem ter como hobby cantar num coro de Gospel. Pumba! Mais não sei quantas missas de casamento, missas de reis e até missas de corpo presente.

Ainda assim, raramente tenho o sentimento que tive este fim-de-semana, quando cantámos na igreja de Queijas, a convite do padre Alexandre, por ocasião da missa do baptismo de Jesus.

Eu juro que tenho mesmo muita dificuldade em entender… os rituais, a fé, as leituras… mas aquela igreja cheia de gente, a homilia de um padre que faz questão de ser homem, como todos os outros, próximo da sua população, aberto à alegria e às coisas novas, voltou a fazer-me sentir parte de um momento especial. O coro cantou nas escadas do coro, e por acaso eu era a que estava mais lá no alto.  As notas finais do Total Praise a ecoar na igreja e aquela visão lá de cima daquele conjunto de pessoas em comunhão naquele mesmo espaço, deu-me arrepios (um vibrato extra, vá…).

Queijas tem muita sorte em ter um padre assim!

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Imagem gentilmente roubada na página de Facebook da União de Freguesias de Carnaxide e Queijas.

Concerto de Natal

Eu faço muitas coisas, e muitas vezes já pensei que tinha que cortar nalgumas. Várias vezes pensei em deixar o coro por não ter muito tempo disponível, mas basta-me ir a um ensaio para afastar de imediato essas ideias. Nós não nos limitamos a cantar juntos. Nós somos uma família musical. Muitos de nós não se cruzam fora dos palcos e da sala de ensaio, mas quando cantamos juntos, há qualquer coisa que não se consegue explicar e transformamos os concertos em momentos mágicos, cheios de energia. Especialmente no Natal. Temos muito trabalho, felizmente, e muitas vezes andamos a correr de um concerto para outro, mas quase não custa nada, porque a alegria de cantar para quem nos ouve é absolutamente fantástica.

Posto isto, desafio-vos a virem ouvir e sentir a magia do Natal, amanhã, às 18h no Terreiro do Paço, em Lisboa, naquela que será a quarta de nove actuações em dez dias (Ufa) 🙂10834908_895475567151515_3216638756763366143_o

Sunday Gospel

(Ou como diria o Tito, Gospel by the River!)

Na ressaca do casamento, acordei no Domingo a pensar na Rita, no Tiago, na Raquel, no Miguel, no José e no Zacki, que estavam onde eu deveria estar, a rasgar alcatrão na Maratona de Lisboa. O cansaço era tanto que só de pensar neles e doíam as pernas… A manhã foi passada em Fontanelas, mas com o pensamento na estrada que eles andavam a palmilhar.

Só ao final da tarde, já depois do concerto, é que consegui confirmar que todos eles tinham terminado as respectivas provas (Meia Maratona para os dois primeiros e Maratona para os restantes).

Depois de comer, foi altura de voar para o Auditório ao Ar Livre da Fundação Champalimaud que nos recebeu para a comemoração do nosso 12º aniversário.

O cenário idílico, abrilhantado pelo pôr-do-sol e pelos barcos a passar em fundo, encheu-se para nos ver e ouvir e, diz quem foi, que demos um concerto fantástico. Ainda bem. Se há coisa que me deixa feliz é usar a voz para animar as pessoas, ainda mais agora que andam meio deprimidas.

Ficam aqui alguns momentos (mais uma vez fotografados pelo meu pai).

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Come and join the chorus

Já lá vai mais de um ano. E parecia tão difícil na altura… Ainda por cima porque já tinha tido, em tempos, um desencontro profissional com o João, e sempre que a Patrícia e o Miguel insistiam para eu me juntar ao coro, a minha resposta era sempre a mesma… “O João nunca me vai passar na audição!”.

Para dificultar ainda mais, eu só conhecia a Patrícia, a Cláudia, o Miguel e a Joana Gi, quatro pessoas com um nível de prática musical muito superior ao meu, o que me fazia ainda mais acreditar que não seria possível.

Na altura, a minha professora de canto queria à força toda fazer de mim soprano, por mais que lhe dissesse que era alto e que não queria deixar de ser. Tenho muito orgulho nos meus graves e não é por acaso que tenho uma clave de fá tatuada no pescoço – os graves do piano 🙂

E já agora, a nota surreal do texto… a Joana e a Sofia… Se, há um ano atrás me tivessem perguntado quem eram as duas pessoas do coro com quem eu nunca iria ter uma relação próxima eu teria respondido “A Joana Cristóvão e a Sofia!”. E é muito bem feito que tenham sido as duas melhores amigas que eu fiz no coro, a provar que na diferença é que está a virtude. Passei com elas alguns dos momentos mais divertidos da minha vida recente e tenho muito a agradecer-lhes por isso! Isto a juntar ao Jorge, à Cláudia, à Mara, à Rute Mateus e a tanta outra malta fixe que conheci…

Ontem tivemos um dos melhores ensaios de que me lembro.

Passado mais de um ano, muitos concertos depois, ontem estivemos a preparar especialmente o concerto da próxima 6ª feira. É um dos nossos preferidos, e acho que falo por todos. O concerto de aniversário é o momento de mostrarmos aos amigos, à família e ao público o nosso trabalho.

Ontem o ensaio foi fantástico e quem ouça as gravações que tenho no telemóvel pode confirmar que estamos a soar muito bem.

É um orgulho ver como todas as vozes se somam para fazer uma só, é um orgulho ver os solistas a evoluírem de ensaio para ensaio, é um orgulho ver os novos solistas a atirarem-se para a nossa frente de microfone na mão e a darem o melhor porque sabem que estamos lá todos com o mesmo objectivo.

Foi muito fixe ver a malta a responder à chamada do maestro quando foi preciso os tenores reforçarem os baixos e as altos reforçarem os tenores. Foi bonito o aplauso das sopranos quando nós tentámos um esganiçado “Praise his name” numa oitava que eu acho que o meu piano nem tem, e foi espectacular o aplauso ao Piri, em homenagem aos bombeiros portugueses.

Resumindo, há um motivo pelo qual eu faço questão de insistir para que a malta toda nos vá ver na próxima sexta-feira, dia 13, às 21h30 no Jardim do Torel. Podemos não ter uma afinação perfeita, mas onde tanta gente se junta com uma amizade tão saudável e com tanto amor à música, só pode haver um grande espectáculo!

P.S. – Já agora, e porque eu acho que faz falta: Pátrice, és a maior! (e também és a minha cunhada preferida, mas pronto, isso também era fácil, porque és a única!)