Quando descobres o encanto de uma coisa que detestavas

Há qualquer coisa de mágico em comer sozinha. E eu não gostava. Não gostava mesmo. Sentia-me sozinha e sem amigos. Até descobrir a beleza desse acto. E agora é mágico. Ir comer fora sozinha, ao almoço ou ao jantar. Escolher o restaurante onde tu queres ir comer. Sentares-te na mesa que tu queres. Escolher a comida. Entregares-te aos teus pensamentos, ao livro que estás a ler, ou vomitares freneticamente tudo o que te vai na alma para um caderno… 

Da última vez que me sentei a ler um livro num restaurante onde me conhecem, acabei a discutir as aventuras de Allon na Irlanda com o senhor da pizzaria. Sempre que vou jantar sozinha ao vegetariano, oferecem-me um chá.

E torna-se quase um ritual isto de ir almoçar ou jantar contigo próprio. Ainda na semana passada isso me aconteceu. Fiquei em Lisboa à noite porque tinha um convite da Sofia para ir assistir à última sessão do curso de Clown que ela estava a fazer. Fui jantar sozinha. Comi um prato vegetariano óptimo, li mais umas páginas d’”A Raíz do Mundo”, bebi um chá fantástico de gengibre e ibisco e comi uma sobremesa. E a seguir fui estar presente num momento importante do curso da minha amiga, ouvir partilhas dos colegas de curso, dançar loucamente dentro de uma sala, até o calor me ir tirando várias camadas de roupa. Uma noite que terminou comigo a com a Sofia a caminhar a pé por Lisboa enquanto conversávamos sobre o seu último exercício do curso e sobre livros. Grande noite!

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