Açores 3 | As Furnas

As Furnas constituem um clássico nas visitas à ilha de São Miguel e, como dizia o outro, já que “Clássico é clássico e vice-versa” decidimos começar em grande, e provar o cozido típico da região. É basicamente igual ao outro mas tem um sabor entranhado a enxofre. De qualquer maneira, deu-nos as calorias necessárias para mais uma grande caminhada.

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Após o repasto no Tony’s, pelo que nos disseram, a grande referência na especialidade, seguimos o nosso caminho até à Lagoa e achámos por bem deixar o carro cá em baixo, na povoação, que tanto uma como outra queríamos reduzir o perímetro abdominal e tonificar as pernas…

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A subida a pique começou com esta paisagem verdejante e manteve-se dura até avistarmos o poste com a sinalização de caminho certo, mesmo em frente à lindíssima Lagoa das Furnas. Depois de uma mirada nas Caldeiras, onde o cheiro a Enxofre me deu alguma vontade de vomitar, e porque gostamos de complicar aquilo que é sim

ples, porque não fazer um trilho dentro de outro trilho e interromper o trilho da Lagoa ara subir ao Pico do Ferro?

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Como eu e a Sofia funcionamos na base de uma dizer “Mata!” e a outra “Esfola!”, lá fomos nós pela mata acima a vislumbrar aquela paisagem suíça de pastos e vacas a perder de vista. Chegadas ao topo, depois de alguma lama, foi altura de uma foto ao estado lastimável das botas e um brinde enviado aos amigos ausentes:

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Depois da descida, que se revelou mais difícil do que a subida que tínhamos acabado de fazer, ainda decidi tentar dar a volta à Lagoa por um lado que ainda estava inundado, enquanto a Sofia ficou sossegada a rir à gargalhada das minhas tentativas de não escorregar para dentro do lamaçal.

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Depois de uma volta quase completa à Lagoa (pelo lado com estrada), lanchámos e tirámos uma data de fotos a uma igreja abandonada antes de começar a descer de volta à povoação, que o meu medo do escuro não se coaduna com permanecer em matagais após o pôr-do-dol e entre cozido, cervejas frescas e sandes feitas em casa, fizemos nada mais nada menos do que 12km:

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Açores 2 | O Pilar da Bretanha

Decidimos que íamos começar a explorar os Açores logo no primeiro dia e portanto, fomos aos sites de trekking que tínhamos visto e escolhemos um percurso que nos pareceu simpático e com uma quilometragem mais ou menos: Vista do Rei – Sete Cidades (7km).

Chegámos à Vista do Rei esperançadas de que íamos ver a Lagoa das Sete Cidades, mas não conseguimos nem nesse dia nem em nenhum dos outros 4 em que lá fomos, porque o nevoeiro mostrou-se sempre em todo o seu esplendor.

Arrancámos para a caminhada ainda com as olheiras do dia anterior, como se comprova pela imagem…

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… e lá fomos todas contentes, literalmente por montes e vales, confirmando a cada esquina que a piada de nos Açores só se ver vacas é mesmo verdade:

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O caminho começou a piorar e deixámos de ver as marcas, mas estávamos convencidíssimas de que estávamos no caminho certo. O trilho deveria ser qualquer coisa como isto…

Trilho Lagoa

… passadas algumas horas, muitas mais do que seria de esperar para completar o percurso, Sete Cidades, nem vê-la. Aliás, só se via nevoeiro, campos e vacas. Começou a surgir alguma preocupação, mas achámos sempre que ia correr tudo bem, como, aliás, é nosso apanágio em todas as situações, e seguimos em frente. Mais um par de horas a andar, a começar a chover, sem vermos marcas nem sinais de pessoas e com o GPS a falhar, começámos a ficar preocupadas, até porque tinha anoitecido e não fazíamos a mínima ideia de onde estávamos. Insisti para continuarmos a descer, porque achei que íamos ter a algum lado, e fomos… chegámos à estrada, andámos mais umas dezenas de metros e vimos duas casas. Decidimos pedir ajuda. Batemos a uma porta e explicámos que tínhamos o carro na Vista do Rei. A cara de pânico do senhor que nos atendeu não nos tranquilizou. Estávamos no Pilar da Bretanha, a mais de 11km do ponto inicial…

Pilar da Bretanha

… com uma enorme simpatia, o senhor tirou de casa a esposa e o filho bébé e foi levar-nos de carro até à Vista do Rei. Pelo caminho lá nos foi dizendo que a Vista do Rei não era um lugar seguro de noite e que era uma sorte se chegássemos lá e ainda tivéssemos os 4 pneus no carro… Scary Stuff!!!

Chegadas à Vista do Rei, encontrámos o nosso carro tal e qual como tinha ficado. Agradecemos à família que nos safou o dia e entrámos no carro para voltar a casa. Assim que ligámos o carro, mais um problema: depósito na reserva! Pânico!!! Ainda perguntámos à nossa família “de acolhimento” onde é que havia uma bomba ali próximo e a resposta foi aterradora… “Agora, só em Ponta Delgada!”. Ou seja… a 26km de distância!!! Portanto… a aventura ainda não acabou… Era de noite, estava um nevoeiro demoníaco, havia imensos obstáculos na estrada (carrinhas estacionadas em 4 piscas, que só conseguíamos ver quando estávamos a 3 metros) e precisávamos de chegar a Ponta Delgada com o carro na reserva…

Depois de conduzir 26km nestas condições:

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…lá chegámos a Ponta Delgada, onde descemos a avenida de entrada na cidade em ponto morto até à bomba de gasolina. Aí, depois de carregado o depósito, decidimos ir tomar um banho e jantar em casa. Foi um dia e pêras!

RJ D3 | Na terra de Araribóia

O dia amanheceu bem cedo e chegou muito rapidamente a hora de ir para Niterói. No Rio, tudo dá certo. Não tinha nada especialmente combinado com o Ivan, nem tinha a menor noção de quanto tempo precisava para chegar de Botafogo à Praça XV e da estação das barcas ao outro lado da baía, mas tinha a certeza que tudo ia correr bem.

Os pés estavam a melhorar lentamente e saí de casa a horas para chegar a tempo às barcas, mas antes ainda passei no café do Uruguaio para beber o único expresso decente que conheço nesta terra e apanhei um dos quinhentos ónibus que vão do Rio Sul para a Praça XV. Sempre à janela, apesar do meu feeling me dizer que aqui, os lugares do meio são mais seguros, atravessei a orla até ao Mergulhão (que na verdade é a parte de baixo de um viaduto) e saí na praça XV. A última vez que estive aqui, no 25 de Abril de 2010, a praça estava cheia de gente. Decorria o Viradão carioca, o festival mais democrático da cidade, e eu vim comemorar o nosso dia da liberdade num concerto fantástico do Milton Nascimento. Hoje é fim de semana e por isso a praça, que habitualmente fervilha de gente nas horas de ponta, está calma. Comprei o bilhete e entrei na barca. A travessia para Niterói faz-se em 20 minutos e à chegada lá, não encontrando o Ivan, sentei-me a ler num banco à sombra da estátua do índio Araribóia, que em 1573 recebeu da coroa portuguesa as terras de Niterói, com a missão de defender o lado oriental da Baía de Guanabara. Foi aí que o Ivan me encontrou.

Depois de um almoço num restaurante de esquina e que tinha como prato do dia a minha amada carne seca mineira com aipim…

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…o Ivan apercebeu-se que eu já conhecia todos os pontos importantes de Niterói, menos o Parque da Cidade, que ele também não conhecia.

Pusemo-nos a caminho, esperámos pelo 32 (enquanto apreciávamos a estrutura de ligações eléctricas que mesmo nas zonas com melhor qualidade de vida, é assustadora)…

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…e lá fomos nós até à praia de Charitas e fomos descobrir como é que se subia para a melhor vista sobre a cidade do Rio de Janeiro. Um senhor super simpático informou-nos que teríamos que subir a pé um morro enorme, com uma estrada a pique e nós fomos. Logo no início da subida, graças a Deus, um alemão que ia a passar de carro ofereceu-nos o boleia. Se tivéssemos subido a pé acho que terímos parado antes. Mas quando chegámos lá acima percebemos que teria valido a pena, mesmo que fosse a pé! Enjoy…

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RJ D2 | Dia de Oxalá na terra

No segundo dia no Rio, acordámos cheios de vontade de um banho de mar. O Ricardo tinha ido para Vitória do Espírito Santo, viagem que eu dispensei porque, depois de sentir o cheiro aqui da terra, decidi que não ia abdicar de dois dias de Rio nem por nada! A Martha estava preocupada com os meus pés, mas respondi-lhe o mesmo: “Você acha mesmo que eu vou perder um dia de Rio de Janeiro por conta de um pé machucado?! Mais rapidamente eu perderia um pé…”

Posto isto saímos para um passeio de sonho por um trilho no morro da Urca onde não faltou passarinho vermelho…

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… e a seguir fomos cumprir a obrigação em dia de Oxalá na terra.. banho de mar para levar tudo o que há de mau em nós. E assim foi… banho na praia vermelha e momento ZEN…

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À tarde fui conhecer uma zona do Rio onde nunca tinha ido. Fomos à Tijuca (que é longe pra cacete!), visitar a mãe da Martha e passar uma verdadeira tarde brasileira: lanche e novelas 🙂

No regresso a casa, a tal da paisagem de sonho na nossa janela…

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… e o relatório de treino 🙂

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London’s Calling

Estou apaixonada por Londres!
Já tinha lá estado mas desta vez voltei verdadeiramente apaixonada. Pela cidade, pelos Londrinos, pelos meus amigos Sofia e Fred que estão felizes como nunca os vi, pela vida que eles conquistaram, pelos cafés que dão todos vontade de entrar, pelas igrejas lindas de morrer, pelas ruas de lojas a fervilhar de gente, pelo metro pontualíssimo, pelos quilómetros sem fim que fiz a pé, até encher os pés de bolhas…
A diferença entre a nossa terra e uma cidade com gente que tem sentido cívico faz uma diferença tão grande que o frio torna-se quase indiferente.

Amei tudo e especialmente a companhia, da Sofs, do Fred e, claro, da João com quem pus em dia conversas sobre meses de sentimentos contraditórios que se têm passado nesta cabeça.  Três dias maravilhosos! 🙂