As coisas como dantes

Quem acompanha este blog há alguns anos já percebeu que eu passei de uma solteira hiperactiva que conseguia encaixar cerca de 30 horas em cada dia para uma pacata fada do lar que adora estar em casa sossegada, junto à família. Porém… às vezes conjugam-se vários factores e vai daí que uma pessoa dá por si com dois fins-de-semana seguidos à moda do antigamente e relembra-se porque é que gostava deste ritmo… é que isto é viciante 🙂

Este Sábado começou com um Trail de 11km no Monsanto debaixo de chuva, com malta da empresa. É muito fixe trabalhar com este pessoal! E sim, foram mesmo 11km, eu é que não liguei o Run Keeper desde o início. A tarde foi em casa entre a bancada da cozinha e o sofá, mas à noite seguiu-se um jantar de anos e no dia seguinte de manhã, um concerto com o St. Dominic’s nas comemorações dos 125 anos dos Bombeiros Voluntários de Linda-a-Pastora.

2016-05-09 08.31.40

Para a semana será ainda mais agitado, mas com eventos bem nices, onde também podem e devem aparecer:

Tranpolim Gerador – Vamos ter uma sessão da Roda dos Livros ao vivo e aberta ao público, a partir das 15h30 na Maria da Mouraria;

Workshop Vegan Brunch by A Cozinha Verde – a partir das 18h30, na Mercearia Saloia, em São Bento (para este é preciso inscrição prévia e tem um custo de 20€/pax);

Corrida da Mulher – 5km contra o cancro da mama, onde vou com uma corajosa equipa de 9 mulheres também minhas colegas de trabalho. Acho que ainda podem inscrever-se 🙂

Cheira-me que o Domingo à tarde vai ser assim…

FullSizeRender

 

Sampa D4 | o Carandiru e o MLP

Domingo pós-festa é igual a acordar às quinhentas (again!).

O brunch foi num spot espectacular, ao pé de casa, de onde apanhámos o táxi para o Carandiru (sim, o ex maior presídio da América latina!). Esforcei-me bastante para não dizer ao taxista que íamos para o Carandiru, para não dar mau aspecto. Disse que íamos para a Cruzeiro do Sul e nada, tentei Parque da Paz e nada (não sei se já vos tinha dito, mas os taxistas em São Paulo nunca sabem ir para lado nenhum). Até que, conformada, disse “Para o Carandiru!”. Resposta: “Ah, o presídio!”. Pronto…

É difícil acreditar no que já existiu naquele lugar… Achei que, quando chegasse lá, ainda me ia cheirar a sangue e a desumanidade. Mas não… o tempo e a prefeitura deram à cidade um espaço fantástico que hoje está cheio de famílias, jovens e crianças que passeiam, comem e fazem desporto em cima dos destroços da carnificina que envergonhou o Brasil em 1992, dois anos antes da minha chegada a São Paulo. 111. Cento e onze mortos. Todos prisioneiros. Zero PM’s. A história e toda a sua envolvência arrepia-me até hoje, e por isso fiz questão de aqui vir, prestar a minha humilde homenagem àqueles que morreram. Mesmo que a minha homenagem seja só caminhar pelo parque e contar, aos que estão comigo, a história dos que morreram e do que era o mundo do crime em São Paulo no início da década de 90. Ainda bem que o Carandiru já não existe, mas continuo a achar que um dos pavilhões devia ter ficado de pé e aberto ao público, como os campos de concentração. Não estou a comparar a dimensão, mas seria útil, para que nunca nos esqueçamos do que ali aconteceu.

Não há fotos, porque esta também não é um zona boa, mas fica a de uma rua das redondezas e que é igual a muitas das ruas de São Paulo.

IMG_0428

“Bom, então posto isto, eu quero ir ao Museu da Língua Portuguesa”. Esta minha frase foi o gatilho para o Francisco chamar um táxi, mas eu travei-o a tempo.
Joana – “Aqui há metro e na Luz, também. Vamos de metro.”
Francisco – “Como é que sabes que qui há metro?”
Joana – “Por causa do livro. Chama-se Estação Carandiru porque o Dr. Dráuzio Varella, quando vinha fazer voluntariado aqui na prisão vinha de metro e saía sempre na estação Carandiru!”
Francisco – “Pronto. Lá está ela a achar que conhece a cidade toda! Que nervos! :-)”

Entrar naquela estação foi uma experiência. Imaginar como seria naquela altura. Como seria o ambiente, os sons, os cheiros… Agora é bem diferente e quem não souber o que ali se passou, passa pela zona sem se dar conta. Se calhar é assim que tem que ser. Eu acho que não. Três paragens depois, chegamos à Estação da Luz (sim, Francisco, tinha valido a pena virmos de táxi! eheheh), onde nos encontrámos com a Diana.

O Museu da Língua Portuguesa é maravilhoso, dentro do género Letras, claro, que pode parecer estranho para quem não é da área. Tem um primeiro andar com uma exposição temporária que mostra o acervo de Ruben Braga e de onde tirámos estas pérolas:

1001003_540002206063277_221732256_n-1 IMG_0435

O segundo andar é um sítio onde eu ficaria dias a fio. Explica a evolução da língua hoje falada no Brasil, desde as origens até agora e mostra, em ilhas específicas, de que forma é que cada língua influenciou o brasileiro de hoje (desde as línguas europeias até às indígenas!):

1003274_540002749396556_1005147865_n 1003808_540002359396595_1661982228_n

E por fim, no último piso, tem um filme com narração de Fernanda Montenegro que fala sobre a origem da língua falada, de onde passamos para uma sala onde, todos sentados em roda, ouvimos as melhores vozes do Brasil (cantores, actores e autores) a declamar os melhores poemas escritos em língua portuguesa. Claro que é na voz de Maria Bethânia (pausa para vénia de joelhos) que nos aparece Fernando Pessoa:

IMG_0440 IMG_0439

Para bónus, o Museu está inserido na Estação da Luz, uma fantástica estação de metro e comboio, que ao fim do dia fica com este visual:

IMG_0443

Aqui, sim, estamos muito perto da Cracolândia e não convém dar passos para fora de pé. Daqui, sai-se dentro de um transporte e de preferência táxi. Foi o que fizemos, a caminho do bairro japonês 🙂

1014131_540001132730051_418852604_n

Depois de atravessar a multidão (São Paulo é assim, aparentemente estava a acontecer um Festival com direito a concertos ao vivo de rock japonês na rua), deparámo-nos com o nosso restaurante fechado, por mudança de instalações. Toca de apanhar outro táxi para outro bairro (perto da Paulista) para onde o dito restaurante se tinha mudado. Jantar terminado e qual é o programa típico de paulista que nós ainda não tínhamos feito??? Shopping!

Uma pequena nota para explicar que há uma aplicação para smartphones que serve para chamar táxis de confiança em São Paulo. Nós chamamos o táxi, o smartphone usa a nossa localização para indicar ao taxista onde estamos e envia-lhe uma foto do dono do smartphone. E nós recebemos no telefone uma foto e o nome do taxista e o número do táxi!

O Francisco e a Diana levaram-nos ao Shopping JK Iguatemi, o shopping mais caro da América Latina, só para vermos o luxo dos corredores, dos restaurantes, das lojas (como esta de vinhos na imagem)…

1014093_540001279396703_333740645_n

Vistas as lojas onde as pessoas que têm muito dinheiro fazem compras, fomos ao supermercado comprar pipocas de pacote para fazer no micro ondas mais pro que eu já vi e vimos um filme em casa 🙂

IMG_0448 IMG_0449