Flores, nem vê-las!

Cheguei a Amesterdão super entusiasmada porque finalmente ia ver os campos de tulipas floridos!
Após 18km a pedalar chegámos a uma área de campos lavrados, mas tulipas nem vê-las! Tinham sido apanhadas no dia anterior… Voltámos de bicicleta para o aeroporto onde lanchámos numa esplanada (sim, está sol na Holanda) e apanhámos o comboio de volta a casa.
E é fantástico com tudo aqui está preparado para as bicicletas serem um meio de transporte tão válido como todos os outros 🙂
Hoje sim, vamos ver flores, mas de carro.
Para já, uma foto do almoço de ontem no Amsterdam Bos (lê-se boch)

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Surpresas boas

Um dia, num rigoroso inverno passado em Amesterdão, numa espécie de parabéns à volta de uma tarte de morango que a Sofia conseguiu, a custo, comprar numa padaria da cidade depois de pedir quatro vezes um “birthday cake”, a minha amiga e maior fonte de inspiração Mafalda disse que eu tinha sido uma boa surpresa porque tinha entrado na vida dela numa altura em que ela já não estava à espera de fazer grandes amigos, porque o grupo de amigos dela já estava “consolidado” há anos. (É possível que esta seja a frase mais comprida que eu escrevi na minha vida o que só não é um problema porque graças aos tareões literários e gramaticais da professora Manuela Ventura entre o 7º e o 9º ano, aprendi muito cedo a usar e a abusar das vírgulas).

Embora estivesse a morrer de vergonha, porque os meus amigos tinham decidido fazer-me uma roda de elogios à volta do meu bolo de anos, senti-me uma privilegiada. Privilegiada por ter amigos capazes de fazer uma coisa daquelas e por ser uma pessoa especial na vida da Mafalda que é, provavelmente, a pessoa que mais me inspira e que mais me faz evoluir como pessoa em todas as áreas da minha vida.

Há pouco tempo também tive esta sensação de surpresa boa de que ela falou em frente à toalha de riscas da Sofia, naquela noite gélida em que fiz 27 anos. Eu que estava descansadinha, a achar que a turma do funil estava mais do que definida e que, apesar de ser constituída pelas pessoas mais diferentes entre si que consigo imaginar me faz sentir que tenho os melhores amigos do mundo, fui surpreendida pela entrada na minha vida de duas pessoas que não têm nada a ver uma com a outra mas que são daquelas com quem sentimos, desde o primeiro momento, que o nosso coração bate junto e que queremos ter perto sempre.

Em circunstâncias muito diferentes, ligadas aos meus dois maiores vícios – a música e o desporto – a Joaninha e a Raquel superstar passaram a partilhar comigo gargalhadas, alegrias, tristezas, ensaios, concertos, treinos e momentos de muito sofrimento, físico e psicológico, porque os amigos também servem para isso. Estiveram perto nos momentos muito duros de Abril e Maio e estão perto agora, nesta fase fantástica de férias no Rio e início da vida nova.

Por isto tudo, Joaninha e Raquel, bem-vindas à montanha-russa que é a minha vida e o meu coração. Até agora a malta não se queixa muito das minhas maluqueiras e tem ficado por cá 🙂 Arranjem um lugar confortável e sentem-se connosco à volta da mesa! Gosto muito de vocês!

joanaA Joana e eu, à entrada para um concerto na RTP, acompanhadas à esquerda pela Mara Perdigão e à direita pela Joana Carinhas 🙂

raquel

E aqui, a Raquel e eu, antes do lançamento da nova coreografa de Body Vive, no 5º Aniversário do Vivafit de Paço de Arcos que, não sei se já vos disse, mas é o melhor ginásio do mundo 🙂

As Sofias da minha vida

e porque é que são 4 e meia? 4 Sofias e meia…

Não é porque a Sofia Castro seja pequenina, nem por elas, quase todas, me terem abandonado e terem ido para outras paragens! 😛

É porque são Sofias amigas, muito amigas, e a meia é uma Sofia que ainda é só conhecida, mas que me ensina muito de cada vez que estou com ela.

Hoje tenho alguma dificuldade em falar das minhas Sofias. Normalmente acontece isto:

“Ah e tal a Sofia ligou-me…”

“Mas qual Sofia, a Soares Franco?”

“Não essa é a de Londres. Ligou-me a Sofia Castro.”

“Ah, essa é a do Estoril ou a de Nova Iorque?”

“Nem uma nem outra, é a de Amesterdão.”

“Ah! A que vai contigo para o Rio!”

“Não… Essa é a Sofia de Nova Iorque!”

“Ok. Desisto!”

Por algum motivo que eu não sei qual, estas Sofias todas foram ganhando uma importância vital na minha vida. Cada uma à sua maneira, todas muito diferentes, são peças fundamentais no meu puzzle. E agora ganhei a Sofia do Estoril de volta para a minha vida depois de 12 anos sem nos vermos.

E o facto de estarem todas fora (e a Sofia do Estoril não está, mas está a caminho… qualquer dia vai passar a ser a Sofia da Austrália, ou coisa que o valha), também as faz puxarem-me para ir mais longe, em todos os sentidos e devo-lhes isso. O mostrarem-me dia-a-dia que é possível e não me deixarem desistir 🙂

Vamos então à meia… numa altura em que eu já estava absolutamente descrente do jornalismo, conheci a Sofia Lorena, jornalista da área de internacional do Público. E tenho tido o prazer de ver a Sofia trabalhar, mas de ver mesmo, de estar presente quando ela faz entrevistas e depois ver o resultado impresso no único jornal que ainda acho que vale a pena. E são lições de jornalismo atrás de lições de jornalismo que tenho o prazer de assistir ao vivo e que valem por 50 aulas de faculdade. E depois a simpatia, a humildade, o respeito por quem é, de facto, notícia… as idas aos cenários de guerra, que me deixam sempre arrepiada… e a última grande lição… que nunca tinha ouvido a ninguém: “Já tinha pedido muito à minha editora para me deixar ir para a Síria, mas desisti no dia em que percebi que tinham morrido civis para tentar tirar de lá jornalistas ocidentais. Não tenho o direito de lhes fazer isso. A minha vida não vale mais que a vida de ninguém!” E não sendo minha amiga, tem-me ensinado muito.

E por isso, obrigada a todas 🙂