O Mosteiro, as grutas e o bar de gelo…

Portugal é uma pais maravilhoso, apesar de estar com a auto-estima a roçar o chão.

Finalmente conheci as grutas de Mira d’Aire. Completamente perdido no meio de uma aldeia, com a sinalização quase apagada nas paredes de algumas casas abandonadas, o complexo tresanda a Estado Novo! A entrada, a sinalização, a loja, a bilheteira, até os funcionários! O filme introdutório transporta-nos para a época em que as grutas foram descobertas, no início dos anos 40, mas depois de entrar… é absolutamente devastador aquilo que a natureza é capaz de fazer. Como diria Zélia Duncan: Super recomendo!

De volta a Alcobaça, porque na véspera foi só de passagem, o mosteiro é uma obra-prima da nossa arquitectura. Mais do que saber identificar o estilo a que pertence, ou conhecer a sua história (porque isso aprendi na faculdade) é a sensação de andar naqueles corredores e naquelas salas que nos ensina como era a vida na época. Na nave central, onde jazem Pedro e Inês, foi celebrado um casamento. Espero que tenha a bênção real que só os amores eternos como o dos nossos reis podem dar.
As estradas que percorremos depois são fantásticas. São as estradas mais normais que se possa imaginar, mas são fantásticas. Passar por dentro das localidades, à porta de casa das pessoas, nos cafés, nas fábricas abandonadas, que são mais que muitas, nas capelas engalanadas para as festas religiosas de Agosto… parece que todas as esquinas são motivo de reportagem 🙂

A barragem da Aguieira é um marco nas minhas viagens a Tondela. Era sinal de que estávamos quase a chegar. As beiras são o retrato de um Portugal antigo, que já não há… de um Portugal profundamente marcado por uma época que é responsável por muito daquilo que pensamos e sentimos hoje. Tudo aqui cheira a Salazarismo e em Santa Comba Dão parece que o Presidente do Concelho ainda paira no ar.

Um bocadinho mais à frente, Viseu encontrou o seu caminho e tem crescido de forma controlada, com uma boa qualidade de vida e com uma série de serviços difíceis de encontrar no interior do país. Fruto de uma grande investimento do Grupo Visabeira, que soma empreendimentos e empregos criados na Beira Alta, o Palácio do Gelo traz a Viseu todas as marcas que se encontram num centro comercial da grande Lisboa. Mas com uma particularidade: o Bar de Gelo. Lá dentro estão 9 graus negativos, mas as luvas e o casaco servem perfeitamente para disfarçar a diferença de temperatura e para passar uma boa meia-hora (que é o tempo limite para desfrutar do espaço, mesmo que seja só a beber um suminho de maçã!) 🙂

A estrada nacional, a terra do Carlos e a vida sem telemóvel…

Finalmente chegaram as férias. De três dias (que excesso!!!) Depois há campo de Labaredas e o descanso fica em stand-by até ao fim do mês, onde há mais três dias calmos à minha espera em Fontanelas!

Ao fim de alguns anos a pensar nisto, decidimos realizar a proeza de fazer a viagem pelo interior do país sem passar por auto-estradas. Teve graça tirar das opções do GPS as “auto-estradas” e “portagens” e acrescentar “estradas não pavimentadas”. O destino é a Casa dos Matos, tão perdida no meio do Parque Natural da Serra d’Aire e Candeeiros que tenho tido bastante dificuldade para trocar alguns SMS com a Andreia e com a minha mãe!

A estrada nacional é uma experiência fantástica, já não me lembrava de viajar assim. Além dos nomes irrepetíveis de terras por onde passámos, se eu estivesse de máquina na mão poderia ter acrescentado um sem número de imagens às de “Portugal no seu Melhor!”. Algumas curvas depois de Óbidos, dei de caras com um edifício enorme, religioso certamente, e ligeiramente familiar… estava de caras com o Mosteiro de Alcobaça! Este é o tipo de sensação que se tem ao andar a pé pelas ruas de Roma. Virar uma esquina e encontrar um pedaço de património histórico de dimensão avassaladora. E é, claramente, o tipo de sensação que não se tem ao circular na auto-estrada.

Outra coisa que se aprende na estrada nacional é que seria maravilhoso se a TSF tivesse uma cobertura nacional da dimensão da que tem a RR. (Vou ser maltratada por ter dito isto) Às vezes sinto que a TSF tem em qualidade de conteúdo o que a RR tem em qualidade da rede de transmissores, o que é uma pena… por vários motivos. Chegar a estas terras e passar por estas gentes, que também são as nossas, ao mesmo tempo que se ouve o Carlos Vaz Marques a entrevistar o José Hermano Saraiva é uma experiência de portugalidade profunda e que dá que pensar. Ouvir barbaridades como “A PIDE era uma polícia sem força física” e “O Salazarismo não foi uma ditadura” podem dar a volta ao estômago, mas também nos fazem conhecer outra perspectiva da realidade e sobretudo, pensar a nossa história e o que nos trouxe até ao ponto em que estamos.

Por hoje é tudo e só com uma fotografia, a da Rua da Casa dos Matos, em Alvados, Mira d’Aire, mesmo perto da terra do Carlos, a quem telefonei assim que vi o mosteiro, porque ainda tinha rede. By the way, tenho saudades tuas.

Até amanhã!