Coisas que fazem bem ao país

Quando as pessoas não têm medo de arriscar acontecem coisas destas: a FabLab e o artesanato português, em conjunto, criaram uma peça com um potencial do caraças – o Etelbert!

Esta sexta-feira fui saber um bocadinho mais sobre este projecto e aproveitei para dar os primeiros passos na Tecelagem, uma arte que nunca tinha experimentado.

A Etelberta, a tecelã que nos recebeu e que esteve na origem deste projecto, contou-me a história resumidamente: a Associação de Artesãos de Lisboa convidou alguns artistas para conhecerem a FabLab – Laboratório de fabricação digital e prototipagem com o objectivo de apoiar a criatividade e o desenvolvimento de novos projectos colaborativos através de acesso a equipamentos e conhecimento (definição no site dos próprios) – e, em conjunto com eles, criar um projecto novo. Deste feliz encontro nasceu o Etelbert, um tear desmontável e portátil que permite fazer peças com cerca de 25cm de largura. Fixe não é? Eu adorei.

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Digitalizar as brincadeiras

Há coisas da nossa infância que se tornam marcantes, por um ou outro motivo (ou até por um conjunto deles) e de que temos saudades em adultos.

Um dos meus vícios de pré-adolescência eram os livros das “Aventuras Fantásticas”. Alguém aí está comigo? Não são as aventuras da Ana Maria Magalhães e da Isabel Alçada, são uns livros, geralmente de semi-terror, com a contra-capa verde, que se liam e jogavam com dados. Já vos está a soar a qualquer coisa?

Pois eu tive muitos… e joguei-os todos. E às vezes fiz batota quando escolhi um caminho numa bifurcação e percebi que era um beco sem saída.

Vai daí (adoro esta expressão) decidi transformar um deles numa coisa mais moderna: um livro interactivo para iPad. Já existem alguns livros destes em formato de jogo para tablet, mas eu queria fazer um, eu própria.

Posto isto, mãos à obra… arranjei o texto, criei um widget para substituir a aleatoriedade dos dados e eis que está pronto para exportar o ficheiro final. Granda pinta! I’m in love with technology!

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Ela e os livros

Hoje pedi a uma visita para escrever. A Rita, de quem já têm ouvido falar por aqui, voltou recentemente a ganhar gosto pela leitura e, por isso, pedi-lhe que nos falasse da sua experiência de leitora e da influência que os livros têm tido na sua vida. Espero que gostem:

Em Agosto eu e a Joana fomos almoçar e no meio de tanta alegria de estarmos juntas e com tantas novidades para contar a Joana disse “Pára tudo, tenho uma mega coisa para te contar! Gostava que escrevesses um texto no meu blog (o meu coração pulou de alegria confesso) mas gostava de te sugerir um tema – o que é que mudou na tua vida desde que começaste a ler.”  Pensei: Oh meu Deus, onde me estou a meter. Mas com um grande sorriso aceitei de imediato o desafio! Passados três meses, deixo-vos esta partilha:

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Quando era pequena via uma série chamada “Uma Aventura”. Adorava ver! Sábado de manhã lá ia eu cedinho… ligava a tv, taça de cereais à frente e só de lá saía quando a série terminasse (nem nos intervalos saia não fosse distraír-me e arriscava-me a perder alguma coisa). A minha avó achava aquilo genial porque durante aquele tempo a criança estava sossegada. Os livros começaram a surgir e num Natal a minha avó fez-me a típica pergunta:

– Tita o que gostavas de ter, filha?

Eu tinha toda uma lista vasta onde estavam bonecas, roupas para as bonecas e outros brinquedos. No fim disse com toda a convicção: 

– Ah, e gostava muito muito de receber o livro de Uma Aventura no Castelo!

A minha avó parou de cortar a cebola, olhou para trás com os seu olhos azuis e perguntou:

– Tita, tens a certeza? Comprei-te a coleção da Anita, leste uma vez e esta ali guardada na prateleira.

– Sim avó, mas estes são para a minha idade e são tão giros!

No Natal o livro estava lá. A minha avó até hoje diz que nunca tinha visto uns olhos a brilhar tanto como os meus naquele momento. O certo é que nos dias seguintes li o livro todo e andava a contar tudo aos meus avós, irmão e prima. A minha avó estava deliciada por vários motivos: primeiro, porque eu estava sossegada e não me portava mal (acreditem, eu era uma verdadeira peste!); segundo, porque sempre tive alguma dificuldade na escola e ela sabia que ler me iria fazer muito bem. A minha prima tinha muita paciência para mim e ouviu-me a contar a história toda. O meu avô chegava a casa estafado do trabalho e muitas vezes a paciência não era muita, mas ainda assim, arranjava paciência para me ouvir a contar o capítulo do dia (até porque essa era a única forma de me conseguir pôr alguma comida na boca). 

Os anos foram passando e os restantes livros foram sempre surgindo. Tive a colecção toda!!!  Ainda hoje os meus avós tem lá todos guardados (juntamente com os d’ “Os cinco” que foram a paixão seguinte). 

Ao longo do tempo, fui deixando de ter interesse em ler. Foram surgindo algumas dificuldades na escola, nas quais os meus avós, infelizmente, não tinham capacidade para me ajudar. Insistiram muito para que eu lesse porque achavam que isso me podia ajudar. Agora que sou mais crescida percebo que quando somos pequenos desvalorizamos coisas a que só aprendemos a dar valor em adultos.  

Comecei a sentir-me vazia quando as palavras eram as mais básicas e os horizontes estavam na mesma (pequenos). No meu curriculum de vida já levava de avanço mais experiência do que se deve ter com a idade que tinha mas continuava com dificuldades. À medida que fui crescendo aprendi a lidar com um dado adquirido “Tem dislexia, coitadinha e tem mau feitio. Temos de saber lidar com isso.” 

NÃO! Se há coisa que a vida me tem ensinado é que nunca é demasiado tarde para aprender. Claro que temos de ter a nossa personalidade mas acho que ter a humildade de perceber que podemos mudar é uma boa ajuda. Então vamos a isso, não vamos ficar sentados a passar a nossa imagem como coitadinhos porque temos problemas na escrita. 

Pois bem, como fiz esta introspecção, achei que uma das coisas que tinha de alterar era voltar a uma coisa de que gostava em pequenita e onde fui feliz: LER! Ao início comecei a ler antes de me deitar mas o sono aparecia mais cedo e eu não aguentava. Comecei a trabalhar em Lisboa e a ir e vir todos os dias de comboio. Esgotei rapidamente as músicas do meu mp3, já não as aguento, e o livro que tinha em casa não era nada de especial. Começam a chegar facturas sem fim relativas à internet do telemóvel que uso para me entreter nas viagens para o trabalho. Pensei para comigo: “Não! Isto vai acabar. Vou ligar à Joana e pedir-lhe uns livros.”

Assim foi. Mandei uma SMS e uns minutos depois tive uma resposta a dizer “Tenho já 6 de parte :)” 

Trouxe os livros para a minha rotina das viagens. Lá vou eu no comboio a ler… Estou a adorar e entro de tal forma na história que as vezes dou por mim a entusiasmar-me. Arregalo os olhos como quem diz: “Não, isto não vai acontecer!” O meu marido está deliciado e está com vontade de ir a casa do pai buscar a biblioteca dele para a nossa casa. 

Depois de tudo isto, o que mudou na minha vida a leitura? Para começar, as minhas viagens de comboio são mais cheias de conhecimento e a minha imaginação começa a trabalhar. A ideia que tinha da internet é que servia para receber informação mas agora é muito mais para informar do que para receber.  Depois, não há coisa melhor que estar numa esplanada com o meu marido a ler um bocadinho. Estamos em silêncio? Sim! Mas os momentos intimistas de um casal também são feitos de silêncios saudáveis. Acho que é ncessário que isso aconteça para que a união seja ainda maior e a partilha das nossas leituras são ainda mais entusiastas. Damos por nós a falar do assunto e a trocar opiniões e é super giro. E por fim, o meu marido adorou ver a factura do telefone a descer 🙂 

Resta-me agradecer a Joana pelo convite, pela confiança e amor que mostrou ao confiar-me este primeiro testemunho e a quem ler este texto obrigada pelos 5 /10 minutos que vos tomei. 

Rita

Acho que vou abrir uma loja

Depois de ter feito um quadro super lindinho que, pelo que sei, ainda está pendurado na parede da minha redacção, dediquei-me aos cadernos, um dos meus objectos preferidos.

Nos últimos meses do ano passado, uma série americana aconselhada por um amigo tirou-me do sério, tirou-me o sono e fez-me sentir outra vez que o meu lugar é numa redacção. Ainda por cima, uma das personagens principais – MacKenzie McHale (Emily Mortimer) – é a personificação da jornalista que eu sempre quis ser: uma mega editora que sabe muito bem o que quer e o que é o jornalismo de verdade. Duas das suas frases emblemáticas na série ficaram a ecoar na minha cabeça, de tal forma que decidi fazer dois cadernos lindinhos com esses lemas na capa. Digam lá que não estão um charme 🙂 Um obrigada à Ju, que me emprestou algum material artístico e à Sofia que já me encomendou dois iguais para oferecer a amigos jornalistas.

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