O que faz uma ateia na missa?

No meu caso é fácil de responder… já fiz quase tudo, menos estar no lugar do padre…

O meu percurso de escola,  faculdade e voluntariado católicos levou-me a ter entre os meus amigos e conhecidos mais padres e seminaristas do que seria expectável, ainda mais para uma ateia convicta. Porém, além de preparar as missas de campo, ir a missas de ordenação, missas novas, cantar nos casamentos de amigos e assistir aos votos dos noviços da Companhia de Jesus, como se tudo isso não bastasse, há quase três anos achei por bem ter como hobby cantar num coro de Gospel. Pumba! Mais não sei quantas missas de casamento, missas de reis e até missas de corpo presente.

Ainda assim, raramente tenho o sentimento que tive este fim-de-semana, quando cantámos na igreja de Queijas, a convite do padre Alexandre, por ocasião da missa do baptismo de Jesus.

Eu juro que tenho mesmo muita dificuldade em entender… os rituais, a fé, as leituras… mas aquela igreja cheia de gente, a homilia de um padre que faz questão de ser homem, como todos os outros, próximo da sua população, aberto à alegria e às coisas novas, voltou a fazer-me sentir parte de um momento especial. O coro cantou nas escadas do coro, e por acaso eu era a que estava mais lá no alto.  As notas finais do Total Praise a ecoar na igreja e aquela visão lá de cima daquele conjunto de pessoas em comunhão naquele mesmo espaço, deu-me arrepios (um vibrato extra, vá…).

Queijas tem muita sorte em ter um padre assim!

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Imagem gentilmente roubada na página de Facebook da União de Freguesias de Carnaxide e Queijas.

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Your life on earth

Um colega de trabalho partilhou este miminho: uma página da BBC que nos diz o que mudou no mundo desde o dia em que nascemos. Basta introduzir a data de nascimento, o género e a altura e “GO”: é ver aparecer uma série de gráficos que nos dizem quantas vezes o nosso coração já bateu, quantas erupções vulcânicas de grande impacto já aconteceram, como cresceu a população mundial, quanto já se movimentaram as placas tectónicas, quantas espécies de mamíferos já ficaram em risco de extinção, quanto já subiu o nível do mar e uma infinidade de outras coisas. Fantástico trabalho! (Como diria o Mário Crespo, um trabalho “com a chancela da BBC”).

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Sunday Gospel

(Ou como diria o Tito, Gospel by the River!)

Na ressaca do casamento, acordei no Domingo a pensar na Rita, no Tiago, na Raquel, no Miguel, no José e no Zacki, que estavam onde eu deveria estar, a rasgar alcatrão na Maratona de Lisboa. O cansaço era tanto que só de pensar neles e doíam as pernas… A manhã foi passada em Fontanelas, mas com o pensamento na estrada que eles andavam a palmilhar.

Só ao final da tarde, já depois do concerto, é que consegui confirmar que todos eles tinham terminado as respectivas provas (Meia Maratona para os dois primeiros e Maratona para os restantes).

Depois de comer, foi altura de voar para o Auditório ao Ar Livre da Fundação Champalimaud que nos recebeu para a comemoração do nosso 12º aniversário.

O cenário idílico, abrilhantado pelo pôr-do-sol e pelos barcos a passar em fundo, encheu-se para nos ver e ouvir e, diz quem foi, que demos um concerto fantástico. Ainda bem. Se há coisa que me deixa feliz é usar a voz para animar as pessoas, ainda mais agora que andam meio deprimidas.

Ficam aqui alguns momentos (mais uma vez fotografados pelo meu pai).

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Livres para servir

Agosto custa muito mais a passar desde há dois anos atrás.
Há muita coisa para se fazer num campo de férias. Há muitas coisas e muitas pessoas a precisar de atenção. Há muita energia, muito amor, muito cansaço, muito trabalho, muita brincadeira, muita coisa para gerir… Há muitas tarefas e há muitas crianças a precisar muito de nós.
Há muitos sorrisos e muitas lágrimas, muitos abraços. E o melhor do campo são eles. É vê-los sorrir e jogar. É vê-los chorar de emoção. É vê-los sentados na roda, a jantar ou a ouvir o Director ou o Capelão. Vê-los no banho de Rio ou no banho higiénico. Vê-los na caminhada a limpar o suor e a beber água, enquanto puxam uns pelos outros.
E há os amigos da Candeia, e os patrocínios e a direcção e a Mamã, as Tias, o Director, e os animadores de equipa. E depois há aqueles sem os quais o campo não funciona.
Aqueles que dão os mesmos dias de férias que os outros, mas que acordam mais cedo e adormecem mais tarde. Que comem menos vezes e muitas vezes a correr. Que não estão nas refeições nem nos momentos de alegria. Que muitas vezes não estão nos momentos de partilha nem nas caminhadas, onde se ganha definitivamente a confiança dos miúdos. Aqueles que são livres porque não estão presos a uma equipa. Que são livres porque não podem ter horários e porque podem sair de campo. Que são livres porque gostam e porque querem, ou porque era a vaga que havia naquele campo e depois nunca mais vão querer ser outra coisa. Que são livres, porque sabem que, se não fossem eles, o campo não seria possível e escolhem, livremente, abdicar dos melhores momentos do campo para o tornar possível. São livres para não cavar latrinas, para não carregar o lixo, para não encher jerricans, para não abdicar das refeições, para não passarem horas sozinhos a montar jogos, para não saírem de campo, para verem a novela… e ainda assim, livremente, escolhem fazer isso tudo e, na maioria das vezes, ficar a ver de longe a alegria dos miúdos e dos outros animadores.
A equipa de livres é o melhor sítio do campo para se estar. E todos os meus livres, terão sempre um lugar especial no meu coração.
Lapão, Brisson, Decas, Canina, Inês, Mariana, Sofia, Fred, Paulo, Chicão, Pulga, Sá, Chula, Xanana, Tito, Antão, Mary, Esteves, KGB, … A todos, muito obrigada por termos partilhado aquela que é para mim a mais bonita forma de amar: LIVRES PARA SERVIR.
Agosto custa muito mais a passar desde há dois anos atrás.
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Foto: Labaredas 2010, São Gião

Perguntas sem resposta…

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Hoje, na corrida Marginal à Noite, em conversa com o Bernardo (que deve ter perto de 7 anos!)…

Bernardo – Joana, olha ali… largaram uns balões que estão a voar. O Jesus vai ficar zangado!
Eu – Zangado?! Ò Bernardo, Jesus não se zanga, ele vai é brincar com os balões.
Bernardo – Mas como é que ele vai agarrar nos balões?
Eu – Então… vai esticar o braço e apanha-os!
Bernardo – Mas o Jesus está aonde?
Eu – Está no céu!
Bernardo – Como é que o Jesus pode estar no céu se ele está no meu coração?!

E é isto…

Imagem Balões
Fonte: Deviant Art