Quando descobres o encanto de uma coisa que detestavas

Há qualquer coisa de mágico em comer sozinha. E eu não gostava. Não gostava mesmo. Sentia-me sozinha e sem amigos. Até descobrir a beleza desse acto. E agora é mágico. Ir comer fora sozinha, ao almoço ou ao jantar. Escolher o restaurante onde tu queres ir comer. Sentares-te na mesa que tu queres. Escolher a comida. Entregares-te aos teus pensamentos, ao livro que estás a ler, ou vomitares freneticamente tudo o que te vai na alma para um caderno… 

Da última vez que me sentei a ler um livro num restaurante onde me conhecem, acabei a discutir as aventuras de Allon na Irlanda com o senhor da pizzaria. Sempre que vou jantar sozinha ao vegetariano, oferecem-me um chá.

E torna-se quase um ritual isto de ir almoçar ou jantar contigo próprio. Ainda na semana passada isso me aconteceu. Fiquei em Lisboa à noite porque tinha um convite da Sofia para ir assistir à última sessão do curso de Clown que ela estava a fazer. Fui jantar sozinha. Comi um prato vegetariano óptimo, li mais umas páginas d’”A Raíz do Mundo”, bebi um chá fantástico de gengibre e ibisco e comi uma sobremesa. E a seguir fui estar presente num momento importante do curso da minha amiga, ouvir partilhas dos colegas de curso, dançar loucamente dentro de uma sala, até o calor me ir tirando várias camadas de roupa. Uma noite que terminou comigo a com a Sofia a caminhar a pé por Lisboa enquanto conversávamos sobre o seu último exercício do curso e sobre livros. Grande noite!

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4 thoughts on “Quando descobres o encanto de uma coisa que detestavas

  1. Sou muito mais velha que a Joana e nunca me rendi aos encantos de comer fora sozinha. Sempre o fiz quando não havia outro recurso. Quando estava fora em trabalho, se ia tratar de um assunto à hora de almoço e tinha pouco tempo, e outras situações afins. Nesses casos, como rápido e o suficiente para “matar” a fome. Mas achei muito giro facto de gostar de comer fora sozinha e de tirar muito prazer disso. Vou tentar numa próxima ocasião ter o espírito mais aberto e, quem sabe, possa descobrir uma nova versão, mais gratificante de um almoço/jantar comigo mesma.

    • É mesmo uma questão de mood, Luísa. Eu ia sempre para estas refeições, quando tinha mesmo que as fazer, com um espírito de me despachar para passar aquele desconforto. Agora não. Decidi passar a ir com a intenção de desfrutar do momento e passar um bocado comigo mesma. E é bom!

  2. Há alguns anos (muitos) tomar um “grande” pequeno almoço, percorrer ruas durante 2 horas e almoçar sozinha num restaurante (comer, ler e olhar à volta) serviu de terapia.

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