Dos dias em que um jornalista não quer ir trabalhar

Por maior paixão que se tenha pela profissão que se escolheu, há dias em que um jornalista pagava para não ter que ir trabalhar…

Há notícias que não queremos dar (muitas), há notícias que nos doem (sim, porque nós também sentimos coisas) e há notícias que nos obrigam a ser a nós próprios, mesmo com os microfones abertos.

Há em Portugal a mania (de que eu também já sofri) de que os jornalistas não podem pensar e dizer coisas e de que os jornais não podem ter editoriais explícitos.

E há gente com coragem, que se borrifa para isso e que decide, num dia especial como o de hoje, fazer um jornal à americana e dizer explicitamente, em directo, qualquer coisa como “Hoje não queria fazer este jornal – tenho que dar a notícia da morte de um homem a quem pude chamar amigo!”. Ainda bem que há pessoas como o Rodrigo Guedes de Carvalho (e claro que o estatuto ajuda a que possa dizer o que lhe vai na alma) que não tem vergonha de fazer um jornal em que é notório que está de rastos. Não faz mal, porque nós também sentimos coisas e não fazemos pior o nosso trabalho por isso.

 

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4 thoughts on “Dos dias em que um jornalista não quer ir trabalhar

  1. Nem me fez nunca muito sentido a ideia de autómatos a transmitir notícias… percebo que haja temas que exijam imparcialidade (ou então uma clara declaração de interesses), mas as notícias e assuntos que tocam as emoções e os sentimentos, beneficiam claramente se forem dadas por GENTE…

    • Sim, mas há muito esta mania púdica cá, de que os jornalistas não podem ter opiniões. Eu também já pensei assim. Mas em dois dias a trabalhar nua redacção isso passa 🙂

  2. Sobre UE, conselhos de ministros, agricultores, presidentes … devem dar a notícia com alguma, digo alguma, imparcialidade. Acredito no jornalista, pessoa que mostra o que sente quando transmite / comenta notícias sobre a fome, violência,…, fugir à guerra,…, desaparecimento de alguém.

    • Eu tenho sentimentos muito fortes sobre agricultura 😛 Claro que sim. É preciso aprendermos a lidar com isto. Não há nada de mal em um jornal ser alinhado politicamente, desde que os leitores o saibam.

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