Diz que há espiões no Colombo!

É conhecida (e eu assumo) a minha pancada com os livros de espionagem do Daniel Silva. O seu agente da Mossad, Gabriel Allon, é a minha personagem de ficção favorita – e isto é uma característica que tenho em comum com o Bill Clinton. Chique a valer!, como diria o Dâmaso Salcede.

Num simpático fim de tarde na Feira do Livro de Lisboa, decidi pedir à Patrícia uma sugestão de livro para dar à minha mãe. A resposta foi pronta: O Espião Português.

Confesso que torci o nariz. A ideia de um Allon português deixou-me desconfiada e às vezes sou um bocadinho preguiçosa para conhecer novos autores (faz parte das resoluções de ano novo acabar com isto).

Bom, a minha mãe, leitora fervorosa, gostou, e o romance de Nuno Nepomuceno, tornou-se na minha primeira leitura do novo ano. Ficou bastante acima das minhas expectativas.

André Marques-Smith, um espião com valores e super bom coração, leva-nos a percorrer os corredores da diplomacia internacional e os gabinetes do MNE português enquanto nos vai deixando conhecer o seu grande desgosto amoroso, que mudou a sua vida para sempre.

Fiquei completamente agarrada e “despachei-o” em três dias. O ritmo é alucinante mas intercalado com momentos muito aconchegantes, quando no curto tempo que medeia entre operações altamente perigosas somos brindados com tardes descontraídas na companhia de Kimi e Diogo, a comer pratos de pasta no bucólico jardim de Torres Vedras.

Uma história cativante e que me deixou com vontade de ler os dois volumes seguintes.

A contrariar esta sensação, apenas dois pontos menos bons. Um, admito que seja defeito meu: como não estou habituada a ler romances portugueses contemporâneos, soa-me esquisito estar a ler um livro em que as personagens se chamam João, Marta, Mafalda e Sara e em que as pessoas almoçam no foodcourt do Centro Comercial Colombo. O outro é que fiquei com a sensação de que o conhecimento do autor sobre o mundo da espionagem advém apenas da leitura de outros romances e não de uma investigação mais aprofundada. Senti isto em vários momentos em que me pareceu que vários aspectos das operações não eram plausíveis. Eu própria, que só sei de espiões por ter devorado todos os livros do americano Daniel Silva, li algumas das operações protagonizadas por André Marques-Smith identificando alguns erros operacionais e prevendo as suas consequências negativas. Às vezes ficava mesmo com a sensação de que os espiões da Cadmo eram um bocadinho amadores.

Tirando isto, só coisas boas. Atirem-se a ele!

P.S. – Dois dias depois de ter publicado este artigo fui surpreendida por um email do autor, Nuno Nepomuceno, que se cruzou com esta minha opinião e decidiu agradecer-me a leitura e a opinião. 🙂 Muito fixe! Gosto desta nova onda nos autores portugueses de manterem uma relação directa com os seus leitores, como já me tinha acontecido com o Paulo Moreiras. Obrigada Nuno.

CAPA_espiao

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5 thoughts on “Diz que há espiões no Colombo!

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