Livres para servir

Agosto custa muito mais a passar desde há dois anos atrás.
Há muita coisa para se fazer num campo de férias. Há muitas coisas e muitas pessoas a precisar de atenção. Há muita energia, muito amor, muito cansaço, muito trabalho, muita brincadeira, muita coisa para gerir… Há muitas tarefas e há muitas crianças a precisar muito de nós.
Há muitos sorrisos e muitas lágrimas, muitos abraços. E o melhor do campo são eles. É vê-los sorrir e jogar. É vê-los chorar de emoção. É vê-los sentados na roda, a jantar ou a ouvir o Director ou o Capelão. Vê-los no banho de Rio ou no banho higiénico. Vê-los na caminhada a limpar o suor e a beber água, enquanto puxam uns pelos outros.
E há os amigos da Candeia, e os patrocínios e a direcção e a Mamã, as Tias, o Director, e os animadores de equipa. E depois há aqueles sem os quais o campo não funciona.
Aqueles que dão os mesmos dias de férias que os outros, mas que acordam mais cedo e adormecem mais tarde. Que comem menos vezes e muitas vezes a correr. Que não estão nas refeições nem nos momentos de alegria. Que muitas vezes não estão nos momentos de partilha nem nas caminhadas, onde se ganha definitivamente a confiança dos miúdos. Aqueles que são livres porque não estão presos a uma equipa. Que são livres porque não podem ter horários e porque podem sair de campo. Que são livres porque gostam e porque querem, ou porque era a vaga que havia naquele campo e depois nunca mais vão querer ser outra coisa. Que são livres, porque sabem que, se não fossem eles, o campo não seria possível e escolhem, livremente, abdicar dos melhores momentos do campo para o tornar possível. São livres para não cavar latrinas, para não carregar o lixo, para não encher jerricans, para não abdicar das refeições, para não passarem horas sozinhos a montar jogos, para não saírem de campo, para verem a novela… e ainda assim, livremente, escolhem fazer isso tudo e, na maioria das vezes, ficar a ver de longe a alegria dos miúdos e dos outros animadores.
A equipa de livres é o melhor sítio do campo para se estar. E todos os meus livres, terão sempre um lugar especial no meu coração.
Lapão, Brisson, Decas, Canina, Inês, Mariana, Sofia, Fred, Paulo, Chicão, Pulga, Sá, Chula, Xanana, Tito, Antão, Mary, Esteves, KGB, … A todos, muito obrigada por termos partilhado aquela que é para mim a mais bonita forma de amar: LIVRES PARA SERVIR.
Agosto custa muito mais a passar desde há dois anos atrás.
Labaredas 08 0036.JPG
Foto: Labaredas 2010, São Gião

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2 thoughts on “Livres para servir

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