Decisões difíceis

Hoje foi um dia particularmente duro. Não aconteceu muita coisa má, mas houve algumas coisas durante o dia que foram dando cabo do meu habitual estado zen (“em paz com a vida e o que ela me traz”).

Saí do escritório para o ginásio decidida a ter uma tarde de treino em grande, mas logo na primeira aula percebi que a minha resistência física não estava nos seus melhores dias. O treino com a Ana confirmou essas suspeitas e, ao contrário do que é habitual, tive que interromper alguns exercícios a meio. Detesto ter que desistir e detesto ainda mais quando o corpo não dá resposta às coisas que quero fazer. É isso que me lixa quando estou pior da anemia: querer fazer coisas e não ter capacidade física para isso.

Vim para casa triste e ainda com a pressão de ter que terminar um conto que tinha que enviar até amanhã para o concurso dos jovens escritores da FNAC. Sentei-me ao computador, escrevi mais duas páginas e depois bloqueei. Não saiu mais nada. Comecei a pensar que se calhar era razoável deixar o conto de lado e parar de me obrigar a escrever à pressa. Estou farta de saber que isso só me sai bem com as notícias. Mas depois deste dia, achei que não podia desistir de mais nada, se não ia a pique. Forcei a barra até onde deu. Fui ler, fui actualizar-me sobre as manifestações no Brasil, falei com o meu pai e com o Tito e depois ligou-me a minha mãe, a dizer que estava a amar a parte do conto que já estava escrita e que tinha só duas ou três correcções clínicas a fazer (a minha personagem principal é um doente esquizofrénico). E foi aí que pensei que o que escrevi está bom demais para ser estragado com um final escrito à pressão só porque decidi que tinha que concorrer este ano. Gosto da história que está contada, acho que está bem escrita, que faz sentido e que está com um ritmo óptimo. Não merece ser estragada com páginas escritas à pressa e sob uma pressão que fui eu que inventei.

Tenho todo o tempo do mundo para imaginar um bom final para a história do Jerónimo. Vou de férias para o Brasil, vou mudar de vida, está aí o Verão, tenho os melhores amigos do mundo e milhões de motivos para que nada me deixe desanimar. So… Keep calm and leave the shortstory for next year’s contest! 🙂

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2 thoughts on “Decisões difíceis

  1. Mais nada! Ainda estás em fase de aprender a vantagem de um dia depois do outro. As coisas boas precisam de tempo para apurar… e o espírito criativo não pode ser forçado nem espartilhado.

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