Venho de ti…

Venho de ti…
Da voz que me ensinou a gostar de poesia,
A poesia que nunca escrevo,
Porque é na prosa que me encontro,
Que me perco…
Na prosa das vírgulas, dos pontos, reticências,
Na prosa do Eça que me questiona a existência,
Na prosa do Torga que me ensina Portugal,
Na prosa de Assis, de Lispector, do António
Das linhas de textos sem heterónimos…

Venho de ti…
Da voz que me ensinou a ouvir o poeta da minha Lisboa,
Da Lisboa que eu amo, com o sol, o eléctrico e as ruas do chiado
Da Lisboa que amo com coração de carioca
Coração que se completa nas areias de Ipanema
Que quando vê a Guanabara bate disparado
E corre, do Galeão, directo a São Conrado
E aí descansa, sabendo-se em casa
Ao som da cuíca, e do Fado.

Venho de ti…
Mais uma vez, depois de tantos anos
Embalas-me a alma com os acordes da nossa terra
Do meu Rio e do Recôncavo baiano
Com os tambores que marcam o meu ritmo
Com o pandeiro, que me tira do meu sítio
E me leva, de volta, onde pertenço.

Venho de ti…
E amei ver-te, como sempre
Com a voz a ecoar contra as paredes
Com os quatro elementos a brotar-te da garganta
Com o São Carlos, aos teus pés extasiado…
A gritar como se fosse um festival.

Lisboa saiu para ouvir poesia na sala mais nobre da cidade
Lisboa ouviu os poetas na voz mais nobre do Brasil
E eu, que tive o privilégio de me ensinarem a ouvir-te
Quando ainda não sabia bem o que era a poesia,
Ouvi cada linha, cada verso
A morrer de amor pela nossa língua.

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