Caminhos

train_station_wallpaper_4-1280x800

Gosto de estações de comboios.
Ficou-me das novelas e dos filmes a ideia romântica das cenas passadas em estações de comboios. Cenas de encontros e desencontros, de amores impossíveis de materializar (daqueles de que eu gosto tanto que insisto em atrair para mim própria).
Gosto de observar a vida nas estações de comboios. As pessoas que esperam por alguém ou alguma coisa e as que circulam com horas marcadas e observam o painel gigante dos horários, invariavelmente vestido de luto. De luto pelos que ficam querendo partir, de luto pelos que partem querendo ficar.
Gosto de ser observada em estações de comboios. De entrar no átrio com ar de quem tem viagem marcada. Gosto de pensar que quem me vê se põe a imaginar quem sou eu e para onde vou, como eu imagino também a vida das outras pessoas que estão na estação de comboios. Gosto que me vejam andar em frente com aquele meu ar de quem sabe exactamente para onde vai, sem pestanejar, como todas as mulheres decididas que depois se perdem dentro delas mesmas.
Gosto de viajar a ler. A perder-me noutras histórias e a viver outros amores, para, mais uma vez, fazer de conta que está tudo bem com os meus.
Gosto que esperem por mim em estações de comboios. Gosto de saber que alguém me espera com vontade de me ver para me perguntar pela viagem e para me ouvir dizer, como sempre, que correu tudo bem, sem sequer imaginar que muito mais profunda é a viagem que faço ao interior de mim mesma sempre que venho a uma estação de comboios.

IC Lisboa – Guimarães, 17h30, 15 Fevereiro 2013

Imagem Estação
Fonte: HDWPapers

Anúncios

2 thoughts on “Caminhos

  1. Pois eu não. Não sou pessimista e não tenho tendência a olhar para o lado negro das coisas, mas neste caso… associo sempre a ideia de estações de combóio a Santa Apolónia, à noite… despedidas, vazio, sentimentos de perda, por vezes desejos mal definidos de acompanhar quem parte… ou então chegadas… os invariáveis atrasos dos combóios e os passos perdidos a fazer tempo, ao longo daquele espaço triste, os olhos que se viram para onde mal se apercebe um movimento… e a imagem confrangedora do que resta de uma vida a tentar acomodar-se entre os cartões para mais uma noite… e além um outro… os olhos não estabelecem contacto… vergonha? desinteresse do mundo? pensamento perdido no labiirinto do mundo interior… real ou perturbado pela doença mental… até a presença do enorme número de pombos é arrrepiante… (lembra-me “Os Pássaros”… e finalmente o combóio chega e com ele a minha filha e vamos sair dali… e falar da viagem dela e de quanto eu sinto as estações de combóios deprimentes e de quanto ela gosta delas,,, São só duas perspectivas diferentes… tenho pena que a minha seja tão sombria…

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s