Ateia Praticante | Parte 3

A Resignação

Há uma semana atrás fui à missa. Não é costume, mas proporcionou-se e acabei por ir. Sempre que estou numa celebração tenho a sensação de que as pessoas respondem ao padre sem pensar no que estão a dizer. Posso estar a ser muito injusta, mas é o que me parece. Eu estou super atenta durante aquela hora e ouço palavra por palavra. E depois fico a pensar. Durante a homilia (que foi de alto nível!), reparei que a figura que estava mesmo à minha frente, à direita do púlpito de onde o Padre Miguel falava aos fieis, era de São José. Apesar do ateísmo militante de há muitos anos, senti alguma familiaridade no olhar com que José olhava para o menino que tinha nos braços. Depois fez-se luz! São José é o padroeiro do meu colégio, onde estudei durante 10 anos, e por isso, praticamente uma pessoa de família. Tivemos uma excelente conversa durante aquele bocadinho, que se estendeu para a consagração. Eu não comungo e portanto pudemos ficar os dois a conversar enquanto as pessoas se dirigiam ao altar para partilhar o corpo de Cristo. Falámos sobre Deus, sobre a igreja, sobre os homens e sobre os homens da igreja. Disse-lhe que gostava muito que a igreja evoluísse num determinado sentido, mas que sabia que as coisas no Vaticano acontecem devagar e que não seria neste papado que assistiríamos a grandes mudanças. Depois dos últimos recados da missa, saímos em paz e eu agradeci a São José por aquele bocadinho que passámos os dois.

2ª Feira de manhã: Notícia do dia – o Papa vai resignar a 28 de Fevereiro. Ainda achei que era brincadeira de Carnaval, até porque vi a notícia, em primeiro lugar, n’O Globo, mas depois de perceber que era o principal destaque da informação da Renascença, percebi que era a sério. Não esperava esta atitude vinda de Bento XVI. Nunca esperei dele grande coisas que não fosse manter o rigor das ideias e tradições da igreja e da complicada teia do Vaticano. Agora percebo o quanto fui injusta. Estou impressionada com a coragem deste homem. Esta decisão e tudo o que ela representa são uma lição muito grande para quem quiser entendê-la. Para mim, que acredito que a igreja vai ter que evoluir, é um sinal claro deste homem que parece querer dizer-nos que só porque as coisas sempre foram feitas de uma determinada maneira, não quer dizer que não possam ser diferentes. Não estava à espera disto. Fui surpreendida pela positiva! E tenho cá para mim que isto tem muito a ver com aquela conversa que eu e o São José tivemos naquele Domingo, na igreja das Caldas enquanto ouvíamos o Padre Miguel falar da vocação e do amor de Cristo.

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