Sonhar não custa…

Hoje ainda não é o dia, mas um dia esta história há de ser contada assim:

Uma mãe chega a casa depois de passear a cadela Gau nas areias da praia em frente à sua casa. No quarto, o filho Francisco, que está a ler antes de dormir chama-a para lhe fazer uma das perguntas da praxe na idade dos porquês. E a partir daqui esta história lê-se com sotaque…

– Mãe, como é que você conheceu o papai?

– Bom… Então… Eu sempre quis morar no Rio, desde que eu tinha mais ou menos a sua idade. Mas eu tinha medo. Medo de não ter trabalho, de ficar longe da família, de ficar sem dinheiro, enfim… medo do desconhecido, apesar de eu sentir que o Rio era minha casa. Então, teve um momento em que eu decidi que tinha que vir de qualquer jeito e marquei uma data. Meu único problema é que eu ainda não tinha trabalho aqui e morria de medo de ficar sem dinheiro e ter que voltar. Foi aí que aconteceu uma coisa muito ruim. Eu tive um acidente. Graças à Deus eu estava fora do carro então não fiquei ferida, mas o carro ficou muito destruído e o seguro deu perda total. Depois de alguns dias de muita tristeza porque eu amava aquele carro e queria ficar com ele por muitos e bons anos, eu achei que talvez ele tivesse outro papel na minha vida. O seguro do cara que bateu em mim pagou a indenização e esse dinheiro me deu uma motivação extra para vir pra cá! No final de Abril eu vim para Rio e fiquei morando uns tempos na casa da tia Martha. Um ano depois a tia João veio passar o Carnaval com a gente e depois a gente foi para a Índia e viajamos dois meses só com uma mochila nas costas. Na volta me chamaram pra trabalhar na equipe de comunicação das Olimpíadas de 2016. Trabalho de sonho! Foi aí que eu conheci seu pai. Numa noite que a equipe foi tomar um chopp no Leblon ele tava lá tocando num barzinho. Quando a gente saiu ele tocou “Chega de Saudade” olhando pra gente e depois mandou um bilhete pra mim. Ele já morava aqui em São Conrado, então eu me mudei pra cá. Quando as Olimpíadas terminaram me chamaram pra trabalhar lá na MPBfm onde fiquei até hoje. Numa noite aqui em casa seu pai estava tocando com a turma dele e eu não tava gostando de alguns dos arranjos, então fui lá sugerir uma coisa diferente. O cara do baixo trabalhava como produtor na Biscoito Fino e me chamou para trabalhar com ele então foi assim que eu fiquei trabalhando como jornalista na Rádio e como produtora musical na Biscoito.

– Então é por isso que você tem uma miniatura desse seu carro antigo lá na estante?

– É filho, para eu nunca esquecer que tudo acontece por algum motivo…

– Ah, tá!

– Vamo’ dormir?

– Mãe, você nunca me contou porque é que você queria tanto vir morar no Rio.

– É. Tem razão Francisco. Nunca contei. Mas isso é uma longa história…

Maybe

Imagem (mandada pela Sofia) 
Fonte: Love Texts

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4 thoughts on “Sonhar não custa…

  1. É que ver o outro lado da moeda não é fácil. A mim levou-me uns meses a perceber o porquê de ter ficado sem passaporte e documentos afins. Mas tal como te disse a ti, tudo acontece por um bom motivo! ALWAYS!!! Adoro o facto de não teres ficado a lamber feridas e teres visto sozinha o caminho. Juro-te que posso rebentar de orgulho agorinha mesmo!

  2. Pingback: Ando armada em escritora | cafesnopateo

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