Ateia Praticante | Parte 1

Ontem à noite, numa conversa sobre amor voltei ao tema recorrente do perdão e continuo sem resposta para a seguinte pergunta: “Perdoar é igual a esquecer?”

Eu acho que não. Acho que há desculpar, perdoar e esquecer. São três coisas diferentes.

Desculpar tem a ver com coisas simples, às vezes até físicas. Uma pessoa pisa-me sem querer, pede desculpa, eu desculpo e esqueço.

Perdoar é muito mais complexo. Por exemplo: há uns anos confiei muito numa pessoa e ela traiu a minha confiança. Eu levo muito tempo até confiar em alguém, por isso, aquela atitude afigurou-se-me como uma traição enorme. Durante muito tempo a presença dela incomodava-me, não queria nem olhar para a cara dela. Com o tempo, passou. Hoje sei que a perdoei. Continuamos a conviver em várias actividades da vida e damo-nos bem. Está perdoado, mas não está esquecido e é por isso que tenho a certeza que enquanto me lembrar, não vou voltar a confiar nela e, seguramente, não vamos voltar a ser amigas.

Isto vale para perdão, ou nem por isso?

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4 thoughts on “Ateia Praticante | Parte 1

  1. EXEMPLO DE O QUE É PERDÃO NO LIVRO
    “A CABANA”

    — Mack, PERDOAR esse homem é entregá-lo a mim e permitir que eu o redima.
    — Redimi-lo? — De novo Mack sentiu o fogo da raiva e da dor. — Não quero que você o redima! Quero que o machuque, castigue, mande para o inferno… — Sua voz ficou no ar.
    Papai esperou com paciência que as emoções passassem.
    — Estou travado, Papai. Simplesmente NÃO POSSO ESQUECER O
    QUE ELE FEZ, posso? — implorou Mack.
    — “PERDOAR NÃO SIGNIFICA ESQUECER”, MACK. Significa soltar a garganta da outra pessoa.
    — Mas eu achava que você esquecia os nossos pecados.
    — Mack, eu sou Deus. NÃO ESQUEÇO NADA. SEI DE TUDO. PARA
    MIM, ESQUECER É “OPTAR POR ME LIMITAR” filho. — A voz de Papai ficou baixa e Mack olhou-o diretamente nos olhos profundos —, por causa de Jesus, não há agora nenhuma lei exigindo que eu traga seus pecados à mente. Eles se foram e não interferem no nosso relacionamento.
    — Mas esse homem… — Ele também é meu filho. Quero redimi-lo.
    — E depois? Você quer que eu simplesmente o perdoe, que fique tudo bem e que nós nos tornemos amigos? — disse Mack baixinho, mas com sarcasmo.
    — O PERDÃO NÃO ESTABELECE UM RELACIONAMENTO. Em Jesus eu perdoei todos os humanos por seus pecados contra mim, mas só alguns escolheram relacionar-se comigo.
    — Então isso significa que se eu perdoar esse homem, estarei deixando que ele brinque com Kate ou com minha primeira neta?
    — Mackenzie — Papai foi forte e firme. — Eu já lhe disse que O PERDÃO NÃO CRIA UM RELACIONAMENTO. A NÃO SER QUE as pessoas falem a verdade sobre o que fizeram e mudem a mente e o comportamento, NÃO É POSSÍVEL UM RELACIONAMENTO DE CONFIANÇA.
    Quando você perdoa alguém, certamente LIBERTA ESSA PESSOA DO JULGAMENTO, mas, se não houver uma verdadeira mudança, NÃO PODE SER ESTABELECIDO NENHUM RELACIONAMENTO verdadeiro.
    — Então O PERDÃO NÃO EXIGE QUE EU FINJA QUE O QUE ELE FEZ NUNCA ACONTECEU?
    — COMO SERIA POSSÍVEL? ALGUM DIA VOCÊ VAI ESQUECER O QUE ELE LHE FEZ?
    — Acho que não.
    — Mas agora você pode amá-lo, apesar disso. A mudança dele permite. O PERDÃO NÃO EXIGE DE MODO ALGUM QUE VOCÊ CONFIE NAQUELE A QUEM PERDOOU. Mas, caso essa pessoa finalmente confesse e se arrependa, você poderá estender a mão e começar a construir uma ponte de reconciliação entre os dois…
    ____________________

    A Cabana é um livro maravilhoso, impactou e marcou minha vida. So para saberes, a filha de Mack foi morta e mutilada por este assassino… uma história verídica que ja vendeu mais de 20 milhoes de livros! recomendo 🙂

  2. Não, perdoar não significa esquecer. Esquecer seria negar a possibilidade de aprender com a vida. Ao perdoar, de facto, lembras mas sentes PAZ. Não tens pensamentos de sinal negativo… acabou a inquietação… deixa de ser um pensamento amargo… Por isso claramente o perdão pertence a quem perdoa e tem muito maior importância para essa pessoa do que para quem e perdoado…

  3. Sou má a perdoar porque não sou boa a esquecer. No entanto lembro-me mais rapidamente de algo bom que me fizeram do que algo mau. Mas a desilusão é algo que me custa imenso a superar. Resumindo, eu desculpo mas não esqueço. Logo não perdoo.

  4. Pingback: Crónica de um amigo bipolar | cafesnopateo

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