Eu ainda sou do tempo…

… em que as “novelas das 8” da Globo eram um primor a todos os níveis. História, actores, personagens, cenários, trilhas sonoras…
Lembro-me de TODA A GENTE acompanhar a mesma novela e sofrer com as mesmas histórias de amor, ou de ódio. De toda a gente esperar meses para descobrir “quem explodiu o shopping”, em Torre de Babel ou quem era a Próxima Vítima, na história de Sílvio de Abreu. Lembro-me de toda a gente comentar no dia seguinte o episódio da noite anterior, de toda a gente ter os seus actores e personagens favoritos.

Ontem, depois de uma longa conversa sobre novelas antigas, vi um episódio inteiro de “Insensato Coração”, a actual novela das 23h30 (!!!) da SIC. O meu objectivo era só um: ver a Natália do Vale, a minha actriz preferida, em acção! E foi uma desilusão enorme. Não a Natália, claro, mas a novela em si. Já não vejo novelas há bastante tempo. Faço um esforço para ver uns bocadinhos quando sei que a Natália entra porque ela faz valer a pena qualquer história e além disso, a Globo continua a ter o melhor naipe de actores de televisão que eu conheço. Mas é mesmo só isso. A mesmice das histórias, aliada ao vazio de personalidade das personagens, faz parecer todas as cenas vulgares e todas famílias iguais umas às outras…

Em Literatura Italiana estudámos a diferença entre as personagens “individuais” e as personagens “tipo”. Quer isto dizer que há personagens que valem só por si, que são compostas com o intuito de representarem um indivíduo com características psicológicas próprias, diferente de todos os outros. E as personagens “tipo”, que representam um grupo social: o cozinheiro, o advogado, ou a espanhola do Eça de Queiroz, como diz o Gaspare.

E a diferença é essa… as histórias deixaram de ser únicas, como eram as de Tieta do Agreste, o Casarão, Pedra sobre Pedra ou a Próxima Vítima. E as personagens deixaram de ser os inesquecíveis Sinhozinho Malta, Roque Santeiro, Viúva Porcina, Murilo Pontes e tantos outros para serem pessoas ricas a viver no Leblon, ou criminosos pobres a viver na favela, ou mulheres de classe média baixa a trabalhar que nem cães para sobreviver…

Assim já não tem graça… E é uma pena, porque as antigas produções da Globo não ficavam a dever nada às grandes produções internacionais.

O que nos salva são os actores de excepção que fazem valer a pena um episódio inteiro para ver uma cena de 2 minutos!

E para quem quiser recordar alguns dos melhores temas de abertura:

Imagem “Globo Novela”
Fonte: Mercado Livre

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One thought on “Eu ainda sou do tempo…

  1. Sempre que vou a Portugal venho com vontade de colocar uma box cá em casa só pra poder ver novelas, sejam elas as Portuguesas ou as Brasileiras porque a possibilidade que me dão de esvaziar o cérebro é inegualável. Mesmo assim reconheço então o que tu dizes e passado 3 dias passa-me a vontade e limito-me à trash TV holandesa e ao food network cá do sítio.
    É uma pena.

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