As coisas como dantes

Quem acompanha este blog há alguns anos já percebeu que eu passei de uma solteira hiperactiva que conseguia encaixar cerca de 30 horas em cada dia para uma pacata fada do lar que adora estar em casa sossegada, junto à família. Porém… às vezes conjugam-se vários factores e vai daí que uma pessoa dá por si com dois fins-de-semana seguidos à moda do antigamente e relembra-se porque é que gostava deste ritmo… é que isto é viciante 🙂

Este Sábado começou com um Trail de 11km no Monsanto debaixo de chuva, com malta da empresa. É muito fixe trabalhar com este pessoal! E sim, foram mesmo 11km, eu é que não liguei o Run Keeper desde o início. A tarde foi em casa entre a bancada da cozinha e o sofá, mas à noite seguiu-se um jantar de anos e no dia seguinte de manhã, um concerto com o St. Dominic’s nas comemorações dos 125 anos dos Bombeiros Voluntários de Linda-a-Pastora.

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Para a semana será ainda mais agitado, mas com eventos bem nices, onde também podem e devem aparecer:

Tranpolim Gerador – Vamos ter uma sessão da Roda dos Livros ao vivo e aberta ao público, a partir das 15h30 na Maria da Mouraria;

Workshop Vegan Brunch by A Cozinha Verde – a partir das 18h30, na Mercearia Saloia, em São Bento (para este é preciso inscrição prévia e tem um custo de 20€/pax);

Corrida da Mulher – 5km contra o cancro da mama, onde vou com uma corajosa equipa de 9 mulheres também minhas colegas de trabalho. Acho que ainda podem inscrever-se 🙂

Cheira-me que o Domingo à tarde vai ser assim…

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Alguém sabe responder a esta pergunta?

Eu acho que sei. Porque estamos a ser distraídos em relação a uma série de coisas que são importantes.

No passado dia 25 de Abril fez um ano que eu deixei de comer carne. E uma coisa que aprendi neste processo (obrigada Dalila) foi que a indústria da agropecuária nos esconde um mundo de coisas, para que elas não influenciem as nossas escolhas. Eu devia ter vergonha de dizer isto, mas… só recentemente é que percebi que “vacas leiteiras” não são uma raça de vacas que têm leite permanentemente. Vacas leiteiras são vacas que, tal como todos os mamíferos, só têm leite quando têm uma ou mais crias para amamentar, e que são artificialmente forçadas a estar nessa situação, para que possam dar leite continuamente.

Quando se entra neste caminho de uma alimentação mais consciente, descobre-se um mundo de coisas. Esta é só mais uma delas…

 

Quando descobres o encanto de uma coisa que detestavas

Há qualquer coisa de mágico em comer sozinha. E eu não gostava. Não gostava mesmo. Sentia-me sozinha e sem amigos. Até descobrir a beleza desse acto. E agora é mágico. Ir comer fora sozinha, ao almoço ou ao jantar. Escolher o restaurante onde tu queres ir comer. Sentares-te na mesa que tu queres. Escolher a comida. Entregares-te aos teus pensamentos, ao livro que estás a ler, ou vomitares freneticamente tudo o que te vai na alma para um caderno… 

Da última vez que me sentei a ler um livro num restaurante onde me conhecem, acabei a discutir as aventuras de Allon na Irlanda com o senhor da pizzaria. Sempre que vou jantar sozinha ao vegetariano, oferecem-me um chá.

E torna-se quase um ritual isto de ir almoçar ou jantar contigo próprio. Ainda na semana passada isso me aconteceu. Fiquei em Lisboa à noite porque tinha um convite da Sofia para ir assistir à última sessão do curso de Clown que ela estava a fazer. Fui jantar sozinha. Comi um prato vegetariano óptimo, li mais umas páginas d’”A Raíz do Mundo”, bebi um chá fantástico de gengibre e ibisco e comi uma sobremesa. E a seguir fui estar presente num momento importante do curso da minha amiga, ouvir partilhas dos colegas de curso, dançar loucamente dentro de uma sala, até o calor me ir tirando várias camadas de roupa. Uma noite que terminou comigo a com a Sofia a caminhar a pé por Lisboa enquanto conversávamos sobre o seu último exercício do curso e sobre livros. Grande noite!

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Dos dias em que um jornalista não quer ir trabalhar

Por maior paixão que se tenha pela profissão que se escolheu, há dias em que um jornalista pagava para não ter que ir trabalhar…

Há notícias que não queremos dar (muitas), há notícias que nos doem (sim, porque nós também sentimos coisas) e há notícias que nos obrigam a ser a nós próprios, mesmo com os microfones abertos.

Há em Portugal a mania (de que eu também já sofri) de que os jornalistas não podem pensar e dizer coisas e de que os jornais não podem ter editoriais explícitos.

E há gente com coragem, que se borrifa para isso e que decide, num dia especial como o de hoje, fazer um jornal à americana e dizer explicitamente, em directo, qualquer coisa como “Hoje não queria fazer este jornal – tenho que dar a notícia da morte de um homem a quem pude chamar amigo!”. Ainda bem que há pessoas como o Rodrigo Guedes de Carvalho (e claro que o estatuto ajuda a que possa dizer o que lhe vai na alma) que não tem vergonha de fazer um jornal em que é notório que está de rastos. Não faz mal, porque nós também sentimos coisas e não fazemos pior o nosso trabalho por isso.

 

A vida acaba amanhã ou temos todo o tempo do mundo?

Uma amiga está doente e deveria ter chegado a Lisboa há pouco para iniciar os tratamentos. Até agora ainda não deu notícias. De repente, imagino que tenha ido com a família jantar ao seu restaurante favorito, à beira-mar. Como será para alguém que tem de repente uma incerteza sobre a sua longevidade saborear o seu prato favorito no seu restaurante favorito? Será que sabe na mesma ao seu prato favorito ou será que não sabe a nada, porque não é possível concentrarmo-nos no sabor do prato com a mente a divagar, em pânico, pelas lembranças do que fizemos e do que deixámos por fazer? Ou será que sabe ainda mais ao nosso prato favorito porque damos, subitamente, mais valor a todas as coisas?

Um furacão que passou pela minha vida recentemente abriu uma caixa guardada há muito (somos tão bons a convencer-nos de que os assuntos estão arrumados..) e hoje, ao pensar sobre isto do nosso prato favorito, fiquei muito confusa.

Lembro-me de ser criança e adolescente e ouvir muitas vezes os adultos falar sobre as lições do tempo.  “O tempo cura tudo”, “O tempo há-de resolver”, “Dá tempo ao tempo”, “A vida vai mostrar-te a razão de ser de certas coisas”, “Quando fores mais velha vais perceber”, “Tudo acontece por um bom motivo”. Tudo verdade. Mesmo.

E lembro-me de ser criança e adolescente e ouvir dizer que tínhamos que ser pró-activos (na altura ainda não era esta a palavra usada). “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”, “Se queres uma coisa, luta por ela”, “Vai atrás dos teus sonhos” e outras frases deste calibre.

A vida tem balanceado estes dois olhares. Tem-me mostrado que vale a pena esperar e dar tempo ao tempo e que tudo acontece por um bom motivo. E tem-me mostrado que temos que ser donos do nosso próprio destino. Fez-me ter paciência e esperar que determinadas coisas chegassem, no seu tempo, e fez-me correr atrás de coisas que que queria muito em vez de esperar que me caíssem ao colo. E hoje, com 30 anos, há frases daquelas (das primeiras) que fazem muito mais sentido. O tempo e (alguma) maturidade mostram-nos mesmo que muita coisa faz sentido assim como é, mesmo quando ao início nos parece estranha e faz-nos olhar para a vida com outra calma, com outra paz.

E depois, estás no trânsito, lembras-te da tua amiga e pões-te a pensar… qual é então o equilíbrio entre os dois conselhos? Devemos dar tempo ao tempo ou andar sempre a correr atrás dos nossos objectivos? Tenho que ir ao ginásio todos os dias, ou posso faltar um dia e ir comer uma pizza com o meu namorado simplesmente porque me apetece desfrutar desse momento? Devemos largar tudo de repente para ir atrás de um sonho, ou se esse sonho for mesmo o nosso lugar, vamos acabar por ir lá ter mais cedo ou mais tarde porque a vida é sábia e há-de tratar de tudo?

A tua amiga, que deve estar aterrada de medo, foi comer o seu prato favorito porque quer saborear o melhor da vida enquanto ainda pode. O tal furacão que abriu a tua caixa guardada começa a soprar outra vez e tu perguntas-te: “Se eu soubesse que me restavam 6 meses, faria tudo como estou a fazer?” Eu não…

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Imagem roubada aqui.